Reformas dos democratas sobre aplicação das leis de imigração enfrentam dificuldades no Congresso
Uma reação pública contra confrontos violentos envolvendo agentes federais de imigração levou os democratas a pressionarem por novos controles sobre suas atividades, mas com pouca adesão até agora dos republicanos que controlam o Congresso.
Isso pode dificultar se chegar a um acordo antes de 13 de fevereiro, quando expira o financiamento para o Departamento de Segurança Interna (DHS).
A questão é se os agentes de imigração dos EUA destacados na repressão à imigração conduzida por Trump podem usar máscaras, entrar em casas sem apresentar identificação ou mandados judiciais e realizar batidas indiscriminadas contra suspeitos, em vez das operações direcionadas que realizavam sob os presidentes anteriores.
Os democratas dizem que as reformas são necessárias para conter os abusos do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e do Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), incluindo a morte de dois cidadãos norte-americanos em Minneapolis no mês passado. Uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada em janeiro revelou que 58% dos norte-americanos achavam que o ICE tinha ido longe demais.
Os republicanos apontaram para possíveis mudanças próprias, como punições para as "cidades santuário" que não cooperam com os esforços de deportação.
O líder republicano no Senado, John Thune, rejeitou a proposta de 10 pontos dos democratas como sendo basicamente "irrealista e pouco séria".
Os democratas esperam ter mais sorte com Trump, que tem procurado amenizar um pouco a situação.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse nesta quinta-feira que Trump está disposto a negociar, mas acrescentou que algumas das solicitações dos democratas eram inviáveis.
"VOCÊS NÃO SÃO POLÍCIA SECRETA"
A professora da Universidade de Georgetown Christy Lopez, que trabalhou com práticas policiais para o Departamento de Justiça dos EUA, disse que os agentes têm menos treinamento e padrões mais fracos do que as autoridades estaduais e locais.
"Essas são mudanças bastante significativas em termos de torná-los mais responsáveis e enviar a mensagem... vocês não são uma polícia secreta e não podem fazer o que quiserem", disse ela sobre as propostas dos democratas.
Democratas e republicanos conseguiram encontrar um consenso sobre equipar os agentes com câmeras corporais. O projeto de lei de financiamento do DHS prevê US$20 milhões para a compra do equipamento, e o governo Trump está implantando-o em Minneapolis, o atual foco da repressão.
Os democratas, no entanto, estão pressionando por regras que obriguem o acesso às imagens das câmeras e outros controles.
A senadora republicana Shelley Moore Capito, da Virgínia Ocidental, membro do painel de Segurança Interna, disse que também apoia a supervisão independente das atividades do ICE e do CBP, assim como os democratas.
Mas ela disse que os agentes e suas famílias poderiam correr risco se fossem obrigados a remover suas máscaras.
"Eu mesma já fui vítima de doxxing. É uma invasão da sua segurança pessoal", disse ela.
As agências de segurança dos EUA geralmente proíbem o uso de máscaras na maioria das circunstâncias.
Os republicanos também estão resistindo à exigência dos democratas de que os agentes do DHS obtenham mandados judiciais, em vez de mandados administrativos mais fáceis de obter, antes de entrar em propriedades privadas.
"Nunca concordaremos com a adição de uma camada totalmente nova de mandados judiciais, porque isso é inviável", disse o presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Mike Johnson.
No entanto, os dois lados podem encontrar espaço para um acordo. O deputado republicano Michael McCaul, do Texas, disse ao programa "Face the Nation" da CBS no domingo que o governo Trump pode não permitir que mandados administrativos sejam usados para entrar em uma casa, por exemplo.
Muitos republicanos ainda não se pronunciaram sobre outras propostas democratas, incluindo a proibição de agentes em igrejas, escolas, hospitais e locais de votação, e a proibição do perfilamento racial.