Itália acusa 10 pessoas de espionar e intimidar dissidentes chineses
Influenciador Li Ying teria sido perseguido e acusado de morte várias vezes
O Ministério Público de Milão deve levar a julgamento 10 pessoas acusadas de espionar e intimidar chineses opositores a Pequim na Itália. Ligado a autoridades chinesas, o grupo cometeu atos de perseguição, vigilância e ameaças de morte contra o influenciador e ativista Li Ying. A operação criminosa monitorou as residências do dissidente, vigiou seu lixo, enviou materiais para a China e pressionou familiares, reunindo milhares de imagens e vídeos para tentar coagir o ativista.
O Ministério Público de Milão, na Itália, deve solicitar o julgamento de 10 indivíduos por espionagem e intimidação contra chineses que vivem no país e têm um posicionamento político contrário ao do governo de Pequim.
As investigações da promotoria apontaram que os acusados - dos quais, dois são italianos e quatro são chineses - mantêm "contato constante com autoridades" em Pequim, integrando uma associação criminosa voltada à realização de "ações repressivas e coercitivas" contra outros cidadãos chineses residentes em Milão, considerados "dissidentes".
Mais especificamente, a investigação revela uma série de atos que incluem perseguição, vigilância, pressões e ameaças contra o ativista e dissidente Li Ying, de 34 anos, conhecido nas redes sociais como "Professor Li", perfil que acumula milhões de seguidores.
"Nós vamos te pegar"; "Em breve, você irá para o inferno"; "Vou cortar a sua cabeça"; "Tenho acompanhado cada passo seu na Itália: é melhor você tomar cuidado", são algumas das ameaças de morte, veiculadas nas redes sociais, contra Li.
O ativista também recebeu imagens de "armas de fogo" com o intuito de intimidá-lo, e suas "residências" teriam sido fotografadas e monitoradas. Além disso, teria ocorrido "pressão" sobre seus "familiares e amigos na China", e seus "dados pessoais" foram "tornados públicos na internet".
Como resultado, Li teria sido forçado a alterar seus "hábitos diários" entre Milão e Turim.
Os autos do caso detalham episódios em que ele foi seguido, bem como, aconteceram "patrulhas" ao redor das residências do influenciador. Chegaram, inclusive, a controlar o que ele descartava em "lixeiras". O "material" que obtiveram ? incluindo itens retirados de sua "caixa de correio" ? foi enviado para a China.
Entre os investigados está um ex-membro das Forças Armadas de Pequim, que teria tirado fotografias para monitorar os movimentos de Li.
Dois italianos também estão sob investigação por terem pichado uma parede externa da casa do ativista em outubro de 2024.
A investigação revelou, ainda, nove gravações de vídeo captadas por uma câmera veicular, além de 4 mil imagens e 35 vídeos relacionados ao monitoramento do influenciador. .
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