Suposto 'mentor' de violência em protestos na Itália é libertado
Meloni definiu decisão judicial como 'vergonhosa'
A Justiça italiana libertou Youssef Siher, apontado como mentor da violência em protestos estudantis de outubro. A juíza Tiziana Landoni rejeitou a prisão preventiva pedida pelo Ministério Público por incitação ao crime e terrorismo, alegando que as mensagens convocavam apenas desobediência civil pacífica, sem atos criminosos. A decisão gerou forte revolta na primeira-ministra Giorgia Meloni, que a classificou como "vergonhosa" e uma afronta ao trabalho das forças de segurança do país.
O italiano de origem marroquina Youssef Siher, apontado como o responsável pela página "Movimento 17 de Outubro" nas redes sociais, que teria instigado o uso de violência durante os protestos pelo país em 17 e 18 de outubro, foi libertado nesta quarta-feira (28), deixando a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, perplexa.
A decisão foi tomada pela juíza de investigações preliminares (GIP) de Milão, Tiziana Landoni, que rejeitou o pedido de prisão preventiva requerido pelo Ministério Público.
Landoni acolheu os argumentos da defesa de Siher, que contestou por completo a versão dos fatos apresentada pela promotoria, bem como a necessidade de quaisquer medidas cautelares.
Os promotores alegaram que ele cometeu os crimes de incitação à prática de delitos - com o agravante de terrorismo - e violência organizada durante uma manifestação pública. O MP pediu a previsão preventiva do suspeito por "risco de fuga" e "risco de reincidência".
"Por meio de conteúdo publicado no chat do Telegram 'Movimento 17 de Outubro', Siher manifestou "métodos de protesto" contra as "atuais políticas governamentais" e fez alusão a "atos de desobediência civil", ações que, contudo, "não se traduzem na adoção de comportamentos violentos ou, de modo mais geral, criminosos", afirmou Landoni na decisão de 37 páginas.
Segundo a juíza, houve "apenas planejamento de manifestações semanais destinadas a conscientizar e envolver o maior número possível de pessoas".
"Uma decisão vergonhosa", declarou a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, sobre a medida de Landoni, que libertou o acusado.
"Acredito que isso [a decisão judicial] constitui uma afronta intolerável ao trabalho das forças de segurança, dos investigadores, do Ministério do Interior e, de modo geral, de todos aqueles que se empenham em proteger pessoas honestas e que cumprem a lei do risco de verem suas cidades e seus negócios devastados", acrescentou a premiê.
Siher, pesquisador de 30 anos, foi detido no último dia 24 de outubro, uma semana depois da onda de violência que tomou conta de Milão e de outras cidades lombardas e italianas em meio aos protestos estudantis nas ruas, que exigem mais investimentos na educação pública e menos recursos destinados a armamentos e conflitos. .
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