Bloco de Netanyahu lidera apuração em Israel; árabes avançam
Falta contabilizar 650 mil cédulas de pessoas que votaram fora de suas seções
Nas primeiras eleições em Israel pós-atentados do Hamas, o bloco do premiê Benjamin Netanyahu lidera com 53 assentos no Parlamento, seguido pela oposição de Gadi Eisenkot, com 48. Partidos árabes surpreenderam ao conquistar 19 cadeiras, mas foram vetados por ambos os lados para a formação de coalizão. Sem que nenhum grupo atinja a maioria de 61 assentos, a definição do novo governo segue incerta e depende de 650 mil votos restantes de militares, diplomatas e outros grupos que ainda serão apurados.
O bloco do premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, aparece com 53 dos 120 assentos no Knesset, o Parlamento do país, após as eleições legislativas realizadas na última terça-feira (27).
A apuração das urnas foi concluída nesta quarta (28), porém ainda falta contabilizar cerca de 650 mil cédulas de pessoas que não puderam votar em suas seções eleitorais, como militares e reservistas, diplomatas, presidiários e pacientes em hospitais.
Isso representa mais de 10% do total de votos depositados, de modo que a distribuição final de assentos no Parlamento ainda pode mudar.
O bloco liderado pelo opositor Gadi Eisenkot, ex-comandante do Estado-Maior do Exército, aparece com 48 cadeiras no Knesset, enquanto as 19 restantes estão com partidos árabes, a grande surpresa da eleição, com um aumento de 10 assentos em sua bancada.
No entanto, os dois blocos majoritários descartaram se aliar às coalizões árabes Lista Conjunta, de Yousef Jabareen, e Lista Árabe Unida (Ra'am), de Mansour Abbas, o que deve complicar as negociações para formar um novo governo. Para ter maioria no Knesset, uma coligação precisa assegurar pelo menos 61 cadeiras.
"Quem quiser oferecer uma alternativa substancial e autêntica ao governo sanguinário de Netanyahu deverá falar conosco para abrir caminho à mudança que o povo israelense deseja ardentemente", disse Jabareen. "Ou continuamos com o racismo, a exclusão e a supremacia, ou instauramos uma autêntica parceria judaico-árabe", acrescentou.
Já Netanyahu declarou que não vai permitir a formação de um governo com presença árabe. "Osama Saadi, da Lista Conjunta, dedicou os resultados eleitorais aos palestinos de Gaza, da Judeia e Samaria [a Cisjordânia ocupada] e da 'Jerusalém ocupada' e elogiou o povo palestino e os terroristas presos. É com esses indivíduos que querem formar um governo perigoso", disse.
Essas foram as primeiras eleições em Israel desde os atentados terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixaram 1,2 mil mortos e desencadearam uma guerra brutal na Faixa de Gaza, onde mais de 74 mil palestinos perderam a vida.
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