Hamas diz que precisa de 'tempo' para estudar plano de Trump sobre Gaza
O Hamas afirmou nesta sexta-feira (3) que precisa de "mais tempo" para analisar o plano apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que pretende acabar com a guerra na Faixa de Gaza, que teve início há mais de dois anos.
O Hamas afirmou nesta sexta-feira (3) que precisa de "mais tempo" para analisar o plano apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que pretende acabar com a guerra na Faixa de Gaza, que teve início há mais de dois anos.
Na terça-feira (30), Trump deu um ultimato de "três ou quatro dias" ao grupo palestino para aceitar a proposta, que conta com o apoio do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. "O Hamas ainda está em processo de consultas e informou aos mediadores que essas discussões exigem mais tempo", disse um dirigente do grupo.
O plano prevê a retirada progressiva de Israel do território e a criação de uma autoridade de transição sob supervisão de Trump, aliado de Netanyahu. A proposta americana, apoiada por vários países árabes e ocidentais, não é clara em relação ao cronograma da retirada israelense e ao modelo de desarmamento do Hamas.
Em comunicado, Mohammad Nazzal, integrante do escritório político do Hamas, afirmou que o plano "contém pontos preocupantes", sem detalhar quais cláusulas foram criticadas.
Segundo uma fonte próxima à liderança do grupo, o Hamas espera modificar trechos relacionados ao desarmamento e à expulsão de seus membros.
"Os qataris vão pressionar o Hamas para que dê uma resposta positiva, mesmo que não aceite o plano integralmente", disse à AFP Hugh Lovatt, especialista em Oriente Médio do Conselho Europeu de Relações Internacionais. "Não se trata apenas de convencer a liderança do Hamas em Doha, mas também a de Gaza, além de seus membros e combatentes no território", acrescentou, em referência o Catar, mediador nas negociações.
Outra fonte envolvida nas discussões em Doha declarou, na quarta-feira (2), que há duas correntes dentro do Hamas. "A primeira apoia a aprovação incondicional, pois considera prioritário o cessar-fogo com as garantias oferecidas por Trump." A segunda rejeita o desarmamento e as expulsões dos dirigentes do grupo e defende uma aprovação sob condições.
"Zona de segurança é uma farsa", denuncia Unicef
O movimento palestino Hamas atacou o território israelense em 7 de outubro de 2023, desencadeando a guerra na Faixa de Gaza.
Em resposta, Israel lançou uma ofensiva no enclave, provocando dezenas de milhares de mortes e uma crise humanitária. Desde então, os cerca de 2 milhões de habitantes foram deslocados várias vezes.
Em 16 de setembro, o Exército israelense iniciou uma ofensiva contra a cidade de Gaza, considerada o último reduto do Hamas. A ação obrigou os moradores a fugir para o sul e se instalar na chamada "área humanitária" de Al-Mawasi, na costa.
Segundo o governo israelense, o local oferece ajuda, atendimento médico e infraestrutura humanitária. A ONU, no entanto, afirma que não há refúgio seguro para os palestinos.
"A ideia de uma zona de segurança no sul é uma farsa", disse James Elder, porta-voz do Unicef, em declaração feita a partir de Gaza.
Segundo ele, no sul do enclave, "bombas são lançadas, escolas que haviam sido designadas como abrigos temporários são regularmente reduzidas a ruínas, e as tendas são frequentemente alvo de bombardeios aéreos".
De acordo com a Defesa Civil de Gaza, organização de primeiros socorros sob autoridade do Hamas, pelo menos 11 pessoas foram mortas nesta sexta-feira (3) em operações militares israelenses, sendo oito em Gaza City.
"Situação catastrófica"
Na Faixa de Gaza, "a situação é catastrófica", afirmou Adnan Abou Hasna, representante local da agência da ONU para refugiados palestinos (Unrwa). "Dezenas de milhares de palestinos são obrigados a deslocamentos repetidos, que têm alto custo, e o acesso à comida e à água continua limitado", disse.
A Anistia Internacional condenou os "deslocamentos em massa" provocados pela ofensiva contra Gaza City e afirmou que centenas de milhares de palestinos estão sendo forçados a se refugiar em enclaves superlotados no sul.
O ataque de 7 de outubro causou, do lado israelense, a morte de 1.219 pessoas, em sua maioria civis, segundo balanço da AFP com base em dados oficiais.
Dos 251 sequestrados durante o ataque, 47 continuam detidos em Gaza, dos quais 25 morreram, segundo o Exército israelense.
A ofensiva de represália de Israel causou 66.225 mortes em Gaza, também em sua maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
Com agências