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Gol, poder e escândalo: o estranho destino do ex-jogador e filho do ditador Kadhafi

Al-Saadi al-Gaddafi ocupa um espaço particular na história recente da Líbia, combinando a imagem de atleta profissional com a de militar. Conheça a trajetória e o estranho destino do filho do ditador Kadhafi.

5 fev 2026 - 12h02
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Al-Saadi al-Gaddafi ocupa um espaço particular na história recente da Líbia, combinando a imagem de atleta profissional com a de militar. Além disso, dirigente vinculado ao regime do pai, Muammar Kadhafi. Sua trajetória esportiva, que teve passagens pelo futebol líbio e italiano, caminhou em paralelo ao papel que desempenhou nas estruturas de poder do país, até sofrer interrupção pelos acontecimentos de 2011 e pelas disputas políticas que se seguiram.

Nascido em 1973, Al-Saadi ganhou visibilidade pública sobretudo a partir dos anos 1990, quando passou a investir na carreira de jogador de futebol. Ao mesmo tempo, acumulou funções militares e políticas. Assim, tornou-se um dos rostos célebres da família Kadhafi. Sua imagem acabou se associando tanto aos gramados quanto ao aparato de segurança do regime. Portanto, um cenário que influenciou diretamente a forma como foi visto dentro e fora da Líbia.

A queda do governo de Muammar Kadhafi (foto) em 2011 representou uma ruptura completa na vida de Al-Saadi – Domínio Público/Wikimedia Commons
A queda do governo de Muammar Kadhafi (foto) em 2011 representou uma ruptura completa na vida de Al-Saadi – Domínio Público/Wikimedia Commons
Foto: Giro 10

Carreira de Al-Saadi al-Gaddafi no futebol profissional

No futebol, a palavra-chave é Al-Saadi al-Gaddafi como jogador profissional. Ele atuou principalmente como atacante do campeonato líbio no final dos anos 1990 e início dos anos 2000. Jogou por clubes importantes do país, como o Alahly Tripoli e, sobretudo, o Al-Ittihad, de Trípoli, um dos times mais tradicionais da Líbia. Nessas equipes, sua presença ia além do desempenho em campo. Afinal, sua condição de filho do líder líbio influenciava a atenção da mídia e das autoridades esportivas.

A projeção interna levou Al-Saadi a buscar espaço no futebol europeu. Entre 2003 e 2007, ele assinou contratos com clubes da Serie A italiana, como Perugia, Udinese e Sampdoria. A participação efetiva, porém, foi bastante limitada. Afinal, foram raras as aparições em partidas oficiais, geralmente por poucos minutos. Em Perugia, chegou a ser notícia por um caso de doping, o que contribuiu para reduzir ainda mais o tempo em campo. Do ponto de vista estritamente esportivo, sua passagem pela Itália foi mais simbólica do que competitiva.

Como era o desempenho esportivo de Al-Saadi al-Gaddafi?

O desempenho de Al-Saadi al-Gaddafi no futebol é analisado por comentaristas a partir de dois eixos: a qualidade técnica e o contexto político. Em termos de habilidade, relatos de época apontam que o nível estava abaixo do padrão exigido pelos principais campeonatos europeus. Sua presença em clubes italianos é muitas vezes explicada por influência política e relações econômicas da Líbia com setores do futebol internacional, mais do que por mérito esportivo.

Na liga líbia, entretanto, Al-Saadi encontrou ambiente mais favorável. Lá, somou participações, gols e conquistas de títulos nacionais, ainda que os números exatos variem de acordo com as fontes. Em campo, atuava como atacante ou meia ofensivo, aparecendo eventualmente em lances decisivos. Fora de campo, desempenhava papel na gestão e no financiamento de clubes e da própria federação líbia, reforçando a ligação entre esporte e poder político. Assim, sua carreira no futebol ficou marcada menos por estatísticas e mais pela combinação entre visibilidade pública e influência institucional.

Al-Saadi al-Gaddafi como militar e figura política

Paralelamente ao futebol, Al-Saadi al-Gaddafi ocupou cargos nas forças armadas e em estruturas de segurança do regime. Ele teve patente militar e integrou unidades com ligação à proteção do governo, assumindo funções de comando em determinadas operações. Também acumulou postos em órgãos responsáveis pela juventude e pelo esporte, o que ampliou seu alcance político dentro do país.

Dentro do círculo de poder da família, Al-Saadi não era o principal estrategista político, papel que, por muito tempo, ficou com o irmão Saif al-Islam Kadhafi, apontado como possível sucessor de Muammar Kadhafi antes de 2011. Saif al-Islam continuou sendo figura central nas discussões sobre o futuro da Líbia mesmo após a queda do regime, até ser relatado o seu assassinato em 3 de fevereiro de 2026, no oeste do país. Esse episódio reforça a continuidade das tensões em torno do legado da família Kadhafi e afeta diretamente a forma como os membros do clã, incluindo Al-Saadi, são lembrados.

Quais foram os impactos da queda do regime em 2011?

A queda do governo de Muammar Kadhafi em 2011 representou uma ruptura completa na vida de Al-Saadi. Durante o levante que teve origem nas revoltas da Primavera Árabe, forças leais ao regime e grupos oposicionistas se enfrentaram em várias regiões do país. Nesse cenário, Al-Saadi foi associado a estruturas militares que resistiam aos rebeldes, o que o tornou alvo prioritário de investigações e de eventuais retaliações após o colapso do governo.

Com o avanço das forças opositoras, membros da família Kadhafi fugiram para países vizinhos. Al-Saadi atravessou a fronteira para o Níger em 2011, onde recebeu asilo temporário. No entanto, a pressão internacional e dos novos dirigentes líbios levou, alguns anos depois, à sua extradição de volta à Líbia. Ao regressar, foi preso pelas autoridades e passou a responder a diversos processos judiciais. Entre eles, acusações de repressão contra manifestantes, uso da força durante o regime e irregularidades financeiras ligadas à administração esportiva.

Al-Saadi al-Gaddafi ocupa um espaço particular na história recente da Líbia, combinando a imagem de atleta profissional com a de militar – depositphotos.com / outchill
Al-Saadi al-Gaddafi ocupa um espaço particular na história recente da Líbia, combinando a imagem de atleta profissional com a de militar – depositphotos.com / outchill
Foto: Giro 10

Prisão, processos legais e lembrança pública

Os processos enfrentados por Al-Saadi al-Gaddafi se estenderam por vários anos, em meio a um sistema jurídico marcado por instabilidade política e disputas entre diferentes grupos armados. Em algumas ações, ele foi absolvido por falta de provas ou por decisões de tribunais locais; em outras, permaneceu detido preventivamente. Durante esse período, surgiram relatos sobre condições de encarceramento e sobre o uso do seu caso como símbolo do ajuste de contas com o antigo regime.

A carreira esportiva, que já se encontrava em declínio antes de 2011, foi encerrada na prática com sua prisão e com o isolamento político da família. A imagem de ex-jogador, que chegou a atuar na Itália e em grandes clubes líbios, cedeu espaço à figura de ex-dirigente ligado a um governo derrubado. Em termos de memória pública, Al-Saadi é frequentemente lembrado como o filho de Muammar Kadhafi que tentou construir trajetória no futebol profissional, mas cuja vida foi definitivamente moldada pela conjuntura política do país.

Atualmente, a lembrança de Al-Saadi al-Gaddafi varia conforme o grupo social e a região da Líbia. Para parte da população, ele permanece associado aos privilégios e à repressão do período anterior a 2011. Para outros, sua história é vista principalmente pela ótica esportiva, como o dirigente e jogador que aproximou o futebol líbio de ligas estrangeiras. Em ambos os casos, a narrativa envolve uma combinação de esporte, poder e conflito, marcada pela queda do regime, pela morte de figuras centrais como Muammar Kadhafi e Saif al-Islam, e pelas mudanças profundas que atingiram o país desde então.

Giro 10
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