'Somos mais do que aliados': Macron e Carney reforçam aproximação entre Europa e Canadá
O presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, defenderam nesta sexta-feira (12), em Paris, o fortalecimento das relações entre a Europa e o Canadá diante de um cenário internacional cada vez mais instável. Em declarações conjuntas, os dois líderes destacaram a necessidade de cooperação entre democracias frente ao que descreveram como o "retorno das lutas pelo poder" no sistema global.
"Hoje, mais do que nunca, compartilhamos a mesma visão de mundo. Observamos que a ordem internacional está fragmentada, marcada pelo retorno das lutas pelo poder, desafios às regras comuns, coerção econômica, interferência e guerras de informação", afirmou Macron, em referência indireta à crescente turbulência geopolítica, incluindo a escalada de tensões comerciais impulsionada pelos Estados.
Sem citar diretamente Donald Trump, o presidente francês fez menção ao impacto de sua política externa, especialmente no campo econômico. Desde seu retorno ao poder, o líder republicano tem intensificado disputas tarifárias e adotado um discurso de confronto com aliados tradicionais.
Macron também destacou valores que, segundo ele, unem França, Canadá e a União Europeia, em contraste com tendências mais unilateralistas.
"Acreditamos no Estado de Direito, na ordem internacional, na ciência, nas mudanças climáticas e na proteção de nossos valores democráticos, bem como de nossas crianças", afirmou. "Diante disso, nossos dois países compartilham a mesma convicção: as democracias devem ser lúcidas, fortes e capazes de agir em conjunto."
A declaração ocorre a poucos dias da abertura da cúpula do G7, que será realizada de 15 a 17 de junho em Évian, na França, e que deve reunir as principais economias democráticas em meio a um ambiente de crescente rivalidade entre grandes potências.
Nesse contexto, Macron enfatizou que França e Canadá, assim como a Europa como um todo, precisam aprofundar parcerias estratégicas em áreas-chave como defesa, inteligência artificial, computação quântica, energia nuclear civil, minerais críticos e transição energética.
"Cooperação concreta"
"Nossas indústrias de defesa têm complementaridades reais. O desafio agora é passar da convergência política para uma cooperação industrial concreta, sustentável e mutuamente benéfica", afirmou o presidente francês. A declaração ganha relevância em um momento de reconfiguração da indústria de defesa europeia, após a França e a Alemanha terem abandonado recentemente um projeto conjunto de desenvolvimento de caças.
Mark Carney reforçou a convergência de interesses entre os parceiros atlânticos e adotou um tom de forte proximidade política.
"Somos mais do que aliados. Fazemos parte da mesma família", declarou, em francês. Em seguida, acrescentou, em inglês, que "ao trabalharem juntos, o Canadá, a França e a Europa podem se tornar uma força poderosa para o próximo século".
A fala também ecoa o contexto de tensões crescentes entre o Canadá e os Estados Unidos. Desde que voltou à presidência, Donald Trump multiplicou críticas a Ottawa e chegou a sugerir, de forma recorrente, a anexação do país vizinho. Em 1º de junho, o presidente americano voltou a se referir ao Canadá como o "51º estado" em publicação na rede Truth Social.
Diante desse cenário, a aproximação entre Europa e Canadá é vista como uma tentativa de reforçar alianças tradicionais, diversificar parcerias estratégicas e preservar a cooperação multilateral em um momento de incerteza global.
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