Chefe de gabinete do primeiro-ministro britânico deixa o cargo após polêmicas no caso Epstein
O chefe de gabinete do primeiro‑ministro britânico Keir Starmer, Morgan McSweeney, anunciou neste domingo (8) que pediu demissão, assumindo a responsabilidade pela nomeação de Peter Mandelson ao cargo de embaixador nos Estados Unidos. Investigações revelaram vínculos de Mandelson com o predador sexual Jeffrey Epstein.
Muitos, tanto na oposição quanto na maioria, vinham pedindo sua saída há vários dias, no contexto da crise sem precedentes em que o governo de Keir Starmer está mergulhado devido às recentes revelações decorrentes da publicação de documentos do dossiê Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Keir Starmer havia nomeado Peter Mandelson em dezembro de 2024 como embaixador em Washington, um cargo altamente estratégico com o retorno de Donald Trump à Casa Branca. Mas ele o destituiu em setembro de 2025, após a divulgação de documentos detalhando a extensão de seus vínculos com o pedófilo, morto em 2019.
Novos documentos recentemente tornados públicos reacenderam a polêmica, parecendo mostrar que Mandelson teria transmitido a Jeffrey Epstein informações capazes de influenciar os mercados, especialmente quando era ministro no governo trabalhista de Gordon Brown, entre 2008 e 2010.
A polícia abriu uma investigação e realizou buscas na sexta‑feira em dois endereços ligados a Peter Mandelson.
O chefe de gabinete de Keir Starmer, Morgan McSweeney, estava particularmente sob pressão, por ter defendido a nomeação de Mandelson ao cargo de embaixador nos Estados Unidos.
"Após profunda reflexão, decidi renunciar ao governo", anunciou ele neste domingo, em uma declaração escrita enviada à imprensa britânica.
"A nomeação de Peter Mandelson foi um erro. (…) Quando fui consultado, aconselhei o primeiro‑ministro a seguir adiante com essa nomeação e assumo total responsabilidade por esse conselho", acrescentou.
Em Downing Street, Morgan McSweeney era considerado o braço direito e a eminência parda de Keir Starmer, com quem havia recentrado o Labour após a saída do esquerdista Jeremy Corbyn, um percurso que lhe rendeu inimigos dentro do partido.
Aos 48 anos, e até então nunca tendo se expressado publicamente na mídia, McSweeney foi nomeado chefe de gabinete em outubro de 2024, poucos meses após o retorno dos trabalhistas ao poder, cuja campanha eleitoral ele havia dirigido.
Ele também era visto como próximo de Peter Mandelson, para quem trabalhou nos anos 2000.
Keir Starmer expressou neste domingo sua "profunda gratidão" a Morgan McSweeney e elogiou seu "compromisso com o Partido Trabalhista e com o país".
Com AFP