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Suspeito de operar tráfico da América Latina para França será julgado e pode pegar prisão perpétua

Firat Cinko, homem suspeito de ter orquestrado um tráfico internacional de cocaína entre a Venezuela, a Martinica e a França, a partir de sua casa, será julgado por um tribunal do júri especial, disse neste domingo (8) uma fonte próxima ao caso. O homem comandava as ações a poucos metros do Palácio do Eliseu, no coração de Paris, segundo informações inicialmente divulgadas pelo jornal Le Monde. A decisão marca o desfecho de uma longa investigação judicial.

8 fev 2026 - 12h20
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Cinko, considerado um dos mais importantes traficantes de cocaína da França, irá a júri com outros 22 suspeitos de serem cúmplices no comando de um esquema internacional que inclui "tráfico de entorpecentes" e "lavagem de dinheiro". Em uma ordem de acusação emitida no fim de novembro, duas juízas de instrução parisienses solicitaram que ele seja julgado, ainda sem data definida, podendo pegar prisão perpétua.

O homem de 39 anos é muito mais do que um simples financista oculto com "perfil de estudante de escola de comércio, apresentável", segundo as palavras de um advogado que já o encontrou, ao jornal Le Monde. Ele é suspeito de ter importado várias toneladas de cocaína da América Latina para a França, passando pelo Caribe.  

Procurado, o advogado de Firat Cinko não quis comentar a decisão. Na quarta-feira, 11 de fevereiro, está prevista uma audiência de apelação para contestar o andamento do processo.

Ao final de uma vasta investigação, que se estendeu por vários continentes, a Justiça identificou importações de cocaína que teriam ocorrido por via marítima e aérea em 2020 e 2021, entre Paris, o Havre e a Martinica, em conexão com um importante fornecedor venezuelano. 

Bem conhecido pela Justiça, Firat Cinko já havia sido condenado diversas vezes por tráfico de drogas, atividade à qual teria aderido após uma infância tranquila e estudos brilhantes. 

Grande investigação judicial

Este caso, "uma das maiores operações de tráfico de entorpecentes dos últimos anos", segundo uma fonte policial, começou a partir de uma pista norte‑americana, de acordo com elementos da investigação aos quais Le Monde teve acesso.

Como parte de uma infiltração, a DEA, a agência federal antidrogas dos Estados Unidos, buscava, em meados de 2020, mapear uma rede internacional de lavagem de dinheiro e contatou agentes franceses. Um policial parisiense assumiu então o papel de um cliente encarregado de recuperar dinheiro em troca de uma transferência bancária. Os investigadores rapidamente identificaram um suspeito: Firat Cinko.

Escutas e vigilâncias passaram a acontecer. Durante o ano de 2020, marcado por confinamentos severos devido à pandemia de Covid‑19, Firat Cinko retomou seus negócios nas sombras. Após vários anos atrás das grades por tráfico, esse homem de origem curda aproveitou uma brecha judicial para retomar sua atuação na área, quando ficou livre, embora monitorado com uma tornozeleira eletrônica.

A investigação "permitiu revelar uma rede estruturada, especializada no abastecimento, transporte e distribuição de cocaína no território francês". E Firat Cinko, "embora conteste, aparece como o dirigente dessa rede, dotada de importantes recursos logísticos e financeiros", destacam os juízes. 

Ele é acusado, em particular, da importação de 600 quilos de cocaína escondidos em um contêiner vindo da Martinica e apreendidos no Havre, na Normandia, em meados de 2020, além de outro envio de quase 400 quilos, quando já estava detido. 

Firat Cinko é suspeito de ter comandado e organizado o tráfico internacional tanto nos bairros mais nobres, no 8º distrito de Paris, onde residiu, quanto de dentro de sua cela na prisão de Meaux, região metropolitana da Île-de-France. 

Durante a investigação, Firat Cinko negou ser o chefe de um esquema, embora reconheça ter participado do tráfico. Ele se apresentou mais como um "logístico" e um informante da polícia que teria se envolvido nos esquemas para melhor denunciar seus participantes. Segundo a Justiça, Cinko de fato atuou como fonte oficial da polícia antidrogas, mas apenas até 2017. Ele também é investigado em dois casos de corrupção: um envolvendo uma funcionária da prisão de Meaux, e outro, um policial do departamento antidrogas. 

Cinko acabou sendo desmascarado pela operação de infiltração americana e, depois, por um agente infiltrado francês. Mais tarde, foi comprometido pelas gravações feitas no interior de seu carro, um Smart no qual falava sem cautela, e enviava inúmeras fotos e vídeos de tijolos de cocaína em diferentes etapas de transporte.

"Quem você conhece que passou cinco anos na prisão e, em um ano, comprou vários apartamentos, vários imóveis, abriu várias empresas?", gaba‑se ele ao telefone para um membro da família. 

Dubai e Dior: a vida de luxo do tráfico

Ele é considerado um dos 30 principais traficantes de drogas da França, um alvo prioritário dos investigadores, afirmou uma fonte próxima ao caso à AFP. Cinko integraria, ao lado de seus homens de confiança, o grupo de cerca de 10 organizações que dominam o tráfico de cocaína, cujas remessas se tornaram massivas, acrescentou outra fonte. 

O tráfico teria permitido a Firat Cinko e sua companheira, que também será julgada, levar uma vida de luxo: com a compra de um apartamento em Dubai por meio de um laranja, gastos de dezenas de milhares de euros na Dior e na Louis Vuitton. 

Ele morava com a companheira em um apartamento em área nobre de Paris, a quatro minutos a pé do Palácio do Eliseu, sede do governo francês, e da Place Beauvau, sede do Ministério do Interior. 

RFI com agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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