Caso Epstein: renúncia de Jack Lang marca 'crepúsculo' de carreira manchada de escândalos
A imprensa francesa desta segunda-feira (9) analisa o declínio de uma figura emblemática e polêmica da França: o ex-ministro Jack Lang. As novas revelações do caso envolvendo o criminoso sexual americano Jeffrey Epstein expuseram ligações entre o financista e aquele que, até então, era considerado um símbolo por parte da esquerda francesa.
"A Queda": essa é a manchete do jornal Libération, que estampa sua capa com uma foto de página inteira de Jack Lang, de 86 anos. Diante da dimensão do escândalo, o socialista cedeu à pressão e pediu demissão, no sábado (7), da direção do Instituto do Mundo Árabe, uma das maiores instituições culturais da França.
Libération lembra que Lang é alvo de uma investigação do Ministério Público Financeiro da França por suspeita de lavagem de dinheiro e fraude fiscal agravada depois que seu nome apareceu 673 vezes nos arquivos revelados pela Justiça americana no final de janeiro. Já a filha do ex-ministro, Caroline Lang é citada 948 vezes. Ela fundou, junto com Epstein, uma obscura empresa offshore sediada nas Ilhas Virgens Americanas especializada na compra de obras de arte.
Em editorial, Libé descreve Lang como uma figura política adorada por alguns, detestada por outras, mas vista como um monumento inconstestável do mundo da cultura da França, lembrado por ser o idealizador da Festa da Música no país. "Quantas personalidades francesas ainda cairão devido ao caso Epstein?", questiona, reiterando que a lista deve ser longa.
Monarca socialista
O escândalo envolvendo os vínculos entre Lang et Epstein também está na capa do jornal Le Figaro desta segunda-feira. "A festa acabou", diz o diário conservador em editorial, classificando o ex-ministro como "um monarca socialista que acreditava-se intocável". A publicação também destaca que Lang admite sua ligação com Epstein, mas garante que o contato que tinha com o financista data de uma época em que nada se sabia sobre sua rede criminosa.
"Dura queda para Jack Lang" é o título de uma matéria do jornal Le Parisien, que destaca que a renúncia do socialista da direção do Instituto do Mundo Árabe, cargo que ocupava há 13 anos, só ocorreu depois de ter sido convocado a comparecer ao Ministério das Relações Exteriores da França para prestar esclarecimentos sobre as revelações.
O diário descreve a onda de choque na França com as revelações, lembrando que Lang era uma das personalidades preferidas dos franceses, responsável por uma vanguardista política de democratização da cultura no país. No entanto, sua carreira também foi marcada por sua defesa de figuras polêmicas - como Roman Polanski, Woody Allen e Dominique Strauss-Kahn - tendo ele próprio sido suspeito de agressões sexuais de menores. Segundo Le Parisien, seu envolvimento no caso Epstein deve marcar o crepúsculo de uma trajetória salpicada de polêmicas.