Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

América Latina

Trump declara guerra tarifária a filmes estrangeiros e ameaça modelo econômico de Hollywood

O presidente norte-americano Donald Trump quer salvar Hollywood da "invasão estrangeira" com uma tarifa de 100% sobre filmes produzidos fora dos Estados Unidos. Anunciada nesta segunda-feira (29), a medida sem precedentes visa proteger a indústria nacional, mas gerou confusão jurídica e espanto nos estúdios. O impacto pode desestabilizar o modelo global de Hollywood, que depende de coproduções internacionais e da bilheteria fora dos Estados Unidos.

29 set 2025 - 16h09
Compartilhar
Exibir comentários

O presidente norte-americano Donald Trump quer salvar Hollywood da "invasão estrangeira" com uma tarifa de 100% sobre filmes produzidos fora dos Estados Unidos. Anunciada nesta segunda-feira (29), a medida sem precedentes visa proteger a indústria nacional, mas gerou confusão jurídica e espanto nos estúdios. O impacto pode desestabilizar o modelo global de Hollywood, que depende de coproduções internacionais e da bilheteria fora dos Estados Unidos.

Imagem ilustrativa: Uma escova de banheiro com o formato do presidente Donald Trump foi deixada sobre sua estrela na Calçada da Fama de Hollywood durante uma manifestação contra seu governo, realizada em Hollywood, Califórnia, em 20 de junho de 2020.
Imagem ilustrativa: Uma escova de banheiro com o formato do presidente Donald Trump foi deixada sobre sua estrela na Calçada da Fama de Hollywood durante uma manifestação contra seu governo, realizada em Hollywood, Califórnia, em 20 de junho de 2020.
Foto: AFP - MARK RALSTON / RFI

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que a indústria cinematográfica norte-americana está sendo "roubada" por outros países, comparando a situação a "tirar doce de uma criança".

Segundo ele, a medida visa resolver um "problema de longa data" e proteger os estúdios dos EUA, especialmente os da Califórnia — estado que, segundo o presidente, foi "particularmente afetado" por incentivos fiscais estrangeiros e pela "fraqueza" do governador democrata Gavin Newsom.

A proposta se insere na lógica de outras iniciativas protecionistas já adotadas por Trump, como tarifas sobre aço, móveis e produtos tecnológicos. Mas, ao atingir diretamente o setor cultural, ela inaugura uma nova frente de conflito comercial — desta vez, com implicações simbólicas e diplomáticas.

Hollywood em alerta

Estúdios como Warner Bros Discovery, Paramount Skydance, Comcast e Netflix não se pronunciaram oficialmente, mas fontes da indústria classificaram a proposta como "chocante" e alertaram para sua complexidade jurídica e operacional. Afinal, a maioria dos filmes modernos envolve múltiplos países em etapas como produção, financiamento, pós-produção e efeitos visuais.

Jay Sures, vice-presidente da United Talent Agency, lembrou que estúdios norte-americanos recorrem frequentemente a locações e serviços no exterior para reduzir custos e ampliar diversidade estética. Países como Canadá, Reino Unido, Austrália, Hungria e Itália são destinos recorrentes para produções de Hollywood.

Ainda não está claro qual seria a base legal para aplicar tais tarifas, e a Casa Branca não respondeu aos pedidos de esclarecimento. Estúdios como Warner Bros Discovery, Comcast, Paramount Skydance e Netflix também não se manifestaram.

Na Bolsa de Nova York, as reações foram mistas: ações da Netflix subiram 0,91%, Paramount Skydance 2,70%, enquanto Comcast caiu 0,39% e Warner Bros 1,33%.

Especialistas em comércio internacional e propriedade intelectual questionam a viabilidade da proposta, já que filmes envolvem múltiplos países em produção, financiamento e pós-produção. Além disso, o setor audiovisual é considerado parte dos serviços globais — área em que os EUA costumam ter superávit.

Cultura como campo de batalha

A proposta de Trump não é apenas uma questão econômica. Ela revela uma tentativa de transformar a cultura em instrumento de disputa geopolítica, alinhando-se a uma visão de mundo em que o entretenimento é tratado como ativo estratégico — e, portanto, passível de regulação comercial.

Para o público brasileiro, acostumado a consumir produções internacionais e acompanhar os bastidores de Hollywood, a medida levanta questões sobre liberdade cultural, circulação de ideias e os limites do nacionalismo econômico. Em tempos de globalização digital, taxar filmes estrangeiros pode significar não apenas restringir acesso, mas também empobrecer - e controlar - o debate cultural.

(Com AFP)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade