Petróleo venezuelano: EUA fecham acordo de até US$ 2 bilhões sob controle de Trump
Donald Trump afirmou na terça-feira (6) que a Venezuela vai "entregar" aos Estados Unidos entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo de "alta qualidade" atualmente sob sanções. Segundo o presidente americano, o petróleo será vendido a preço de mercado e os rendimentos ficarão sob seu controle, com o objetivo declarado de beneficiar "o povo da Venezuela e dos Estados Unidos".
Washington e Caracas chegaram a um acordo estimado em até US$ 2 bilhões em exportações de petróleo venezuelano para os Estados Unidos. Uma fonte da indústria afirmou que Trump quer que o acordo avance rapidamente para apresentá-lo como uma "grande vitória.
"Tenho o prazer de anunciar que as autoridades interinas da Venezuela vão entregar aos Estados Unidos entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo sob sanção e de alta qualidade", escreveu Trump ao anunciar o acordo em sua rede social, a Truth Social. Ele acrescentou que o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, ficará responsável pela implementação da medida.
Segundo duas fontes ouvidas pela Reuters, as primeiras entregas poderão exigir a realocação de cargas inicialmente destinadas à China. Há uma década, Pequim é o principal comprador do petróleo do país sul-americano, sobretudo após as sanções impostas pelos EUA em 2020 a empresas que negociam com o setor energético venezuelano.
Acordo após ameaças ao governo interino
O anúncio ocorre poucos dias após a captura de Nicolas Maduro durante uma operação militar americana. Os Estados Unidos acusam o ex-presidente venezuelano de narcoterrorismo e o transferiram para Nova York, onde ele se declarou inocente. Sua esposa, Cilia Flores, também foi detida. Ambos permanecem presos e aguardam nova audiência judicial.
Trump havia anteriormente exigido que o governo venezuelano concedesse "acesso total" à indústria petrolífera do país a empresas americanas, sob ameaça de novas ações militares.
A presidenta interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, rejeitou as declarações de Trump ao afirmar que "nenhum agente externo governa a Venezuela". Donald Trump chegou a afirmar que Washington estava "no comando" e que Rodriguez "pagaria mais caro do que Maduro" se não fizesse "o que é necessário".
Apesar da postura inicial de Rodríguez, poucas horas depois, o presidente americano reiterou que Caracas entregará dezenas de milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos. Este acordo constitui um forte sinal da vontade do governo interino venezuelano de responder às exigências de Trump, que advertiu que Caracas se expunha a uma potencial segunda operação militar americana se não abrisse o seu mercado às companhias petrolíferas dos EUA.
Luto nacional pelas vítimas da operação militar americana
Rodríguez nomeou Calixto Ortega Sanchez, ex-diretor do Banco Central, como vice-presidente responsável pela área econômica, e decretou sete dias de luto nacional pelas vítimas da operação militar americana, que deixou pelo menos 55 mortos entre forças venezuelanas e cubanas que protegiam Maduro.
Segundo o procurador-geral venezuelano, Tarek William Saab, a ofensiva causou "dezenas de vítimas", incluindo civis. Cuba confirmou a morte de 32 agentes de segurança durante a operação. A ONU alertou que a ação norte-americana comprometeu um princípio fundamental do direito internacional.
Apesar das declarações da opositora Maria Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, manifestando intenção de retornar rapidamente ao país para conduzir uma transição democrática, Trump descartou a realização de eleições em curto prazo.
O bloqueio imposto pelos Estados Unidos desde meados de dezembro impediu a exportação de milhões de barris de petróleo venezuelano, armazenados em petroleiros e portos. Autoridades venezuelanas denunciaram a ilegalidade das operações americanas e acusaram Washington de tentar se apropriar das vastas reservas de petróleo do país.
No plano interno, o sindicato venezuelano dos jornalistas (SNTP) denunciou que 14 profissionais da imprensa, a maioria de veículos internacionais, foram detidos temporariamente à margem de uma sessão do Parlamento e depois libertados.
Com agências