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América Latina

Após operação dos EUA, população de Caracas teme volta da escassez; grupos armados controlam moradores

Quatro dias após a operação americana na Venezuela, que capturou o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, a população de Caracas continua apreensiva e teme a volta da escassez e da hiperinflação ao país. Grupos armados pró-governo realizam controles em diversos pontos da capital.

6 jan 2026 - 12h51
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Com informações de Alice Campaignolle, correspondente da RFI em Caracas 

Em um parque de um bairro nobre no leste de Caracas, o clima é de normalidade. No fim da tarde de segunda-feira (6), crianças jogam bola e moradores relaxam após o trabalho.

"Nós saímos para passear com o cachorro, em família", diz Clemente. "Eu estava de plantão na clínica. Hoje, atendi meus pacientes e, em geral, há mais pessoas na rua em comparação com o fim de semana", afirma.

"Ontem (domingo), nem todas as lojas abriram, mas nesta segunda-feira, com a volta às aulas, as coisas devem voltar ao normal", conta. Após o recesso das festas de fim de ano, as escolas devem reabrir na quarta-feira.

Os supermercados do bairro também voltaram a funcionar normalmente. Nos últimos dias, a entrada de clientes era controlada, permitindo apenas pequenos grupos.

Mas nem todos os bairros aparentam a mesma calma. Franco conta que foi parado enquanto andava de moto por um grupo paramilitar, a apenas alguns quilômetros de distância do local.

"Eu passei pela região da Boleíta (nordeste de Caracas) e foi lá que eles me pararam. Eles pediram que eu levantasse a camiseta para ver se eu tinha alguma arma. Expliquei que estava apenas indo ao supermercado. Felizmente, eles não vasculharam meu celular", diz.

Volta da escassez

Em geral, os venezuelanos preferem se manter discretos. Alguns estocam suprimentos, temendo que o cotidiano se torne ainda mais difícil após o ataque americano.

O controle social também aumentou. Os "colectivos" (milícias chavistas) realizam fiscalizações em carros e motocicletas, principalmente em bairros mais pobres, e a circulação está restrita. Embora o clima esteja relativamente calmo na capital, esses grupos de civis pró-governo tentam evitar manifestações.

Mas as pessoas estão especialmente preocupadas com uma possível volta da escassez, explica o geógrafo Antonio de Lisio, de Caracas.

"É preciso lembrar que estamos em estado de emergência. Há toque de recolher. Depois das 18h, podemos estar sujeitos a controles ainda mais rigorosos", afirma. "Quarta-feira deveria marcar o início do ano letivo, mas isso será difícil, porque é necessária autorização para viajar de uma região para outra. Perto da minha casa, alguns supermercados e farmácias abriram, e há filas."

Para ele, a situação atual remete aos anos de 2016 e 2017, o período mais duro da crise de falta de produtos na Venezuela. "Anos muito difíceis, sem sanções, mas com enorme escassez de alimentos e inflação galopante. Hoje, a inflação também está muito alta, e nossa moeda está sendo constantemente desvalorizada. A carne que eu comprava no fim de dezembro por US$ 11,50 o quilo agora custa US$ 14 o quilo — um aumento de 20% em apenas alguns dias", lamenta.

Segundo Antonio de Lisio, os venezuelanos estão ocupados com os problemas cotidianos. "O dia a dia está mais complicado agora. Mais do que protestar a favor ou contra o que aconteceu, as pessoas estão ocupadas em administrar a vida cotidiana, e todos pensam que vamos reviver a escassez que vivenciamos há oito anos."

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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