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América Latina

Apetite de Trump pela Groenlândia pressiona Otan; EUA querem 'comprar' ilha, mas não descartam força militar

A hipótese de uma intervenção militar dos Estados Unidos na Groenlândia, mencionada pela Casa Branca como uma das "opções" em estudo nesta quarta-feira (7), coloca a Otan sob uma pressão inédita. A Dinamarca, incluindo a Groenlândia, é membro da aliança militar transatlântica, e um eventual ataque norte-americano contra outro país da Otan seria "o fim de tudo", advertiu a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen.

7 jan 2026 - 16h54
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"Nada [será discutido] sobre a Groenlândia sem a Groenlândia. Claro que vamos participar. Fomos nós que pedimos a reunião", disse Vivian Motzfeldt nesta quarta-feira (7) à TV pública dinamarquesa DR, após a confirmação de Rubio sobre a realização de um encontro com a Dinamarca.

Na terça-feira, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Donald Trump considera a Groenlândia uma prioridade estratégica absoluta. Segundo ela, “usar o Exército norte-americano é sempre uma opção à disposição do comandante em chefe”.
Na terça-feira, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Donald Trump considera a Groenlândia uma prioridade estratégica absoluta. Segundo ela, “usar o Exército norte-americano é sempre uma opção à disposição do comandante em chefe”.
Foto: © Kevin Lamarque / Reuters / RFI

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira que pretende se reunir na próxima semana com autoridades dinamarquesas para discutir a situação da Groenlândia, sem sinalizar qualquer recuo em relação ao objetivo já expressado pelo presidente Donald Trump de assumir o controle do território.

Em Bruxelas, diplomatas se perguntam se as declarações de Washington representam uma ameaça real, uma tática de negociação ou uma estratégia de intimidação.

As declarações de Rubio ocorrem em um contexto de forte tensão internacional, agravado pela intervenção militar norte-americana na Venezuela no último fim de semana, quando forças dos Estados Unidos bombardearam Caracas e capturaram o presidente Nicolás Maduro. A operação intensificou os temores da Dinamarca e de seus aliados europeus de que a Groenlândia possa enfrentar um cenário semelhante.

A Casa Branca reiterou nesta quarta-feira que "todas as opções" estão sendo analisadas em relação à ilha do Ártico, território semi-autônomo sob soberania dinamarquesa, que Trump afirma querer adquirir por razões de segurança nacional. Uma porta-voz da presidência norte-americana declarou que uma intervenção militar continua sendo uma opção, apesar das manifestações de apoio à Dinamarca e à Groenlândia feitas por líderes europeus, entre eles o presidente francês Emmanuel Macron.

"Comprar a Groenlândia"

Questionado sobre a proposta de Copenhague de dialogar, Marco Rubio confirmou que se reunirá com representantes dinamarqueses. "Vamos conversar", afirmou. Ele lembrou que a intenção declarada de Trump sempre foi comprar a Groenlândia, sem excluir, no entanto, o uso da força.

"Se o presidente identificar uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos, todo presidente mantém a opção de responder por meios militares", disse. "Como diplomata, o que buscamos é resolver a situação de outra forma — e isso inclui o caso da Venezuela", acrescentou.

"Usar o Exército é sempre uma opção"

Na terça-feira, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Donald Trump considera a Groenlândia uma prioridade estratégica absoluta. "O presidente deixou claro que assumir o controle da Groenlândia é uma questão de segurança nacional para os Estados Unidos e é vital para conter nossos adversários na região do Ártico", declarou. Segundo ela, "usar o Exército norte-americano é sempre uma opção à disposição do comandante em chefe".

De acordo com o Wall Street Journal e o New York Times, Marco Rubio teria dito a parlamentares norte-americanos que a opção preferida de Trump é comprar a Groenlândia da Dinamarca, afastando, por ora, a hipótese de uma invasão iminente.

O tom determinado da Casa Branca contrasta com os apelos ao diálogo, carregados de preocupação, feitos por governos europeus. A Groenlândia e o governo dinamarquês pediram negociações rápidas com Rubio, na tentativa de dissipar o que chamam de "mal-entendidos".

Copenhague e Nuuk contestam o argumento recorrente de Trump de que o território estaria vulnerável à influência chinesa ou russa. "

Não compartilhamos essa ideia de que a Groenlândia esteja coberta de investimentos chineses", afirmou o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen. "Estamos cuidando do reino", insistiu, acrescentando que não é útil "dramatizar" a situação.

Nos últimos 12 meses, a Dinamarca afirma ter reforçado significativamente a segurança no Ártico, com investimentos de cerca de 90 bilhões de coroas dinamarquesas (mais de R$ 75 bilhões). Trump ironizou o esforço ao declarar, no domingo:

"Vocês sabem o que a Dinamarca fez recentemente para reforçar a segurança da Groenlândia? Acrescentaram um trenó puxado por cães."

"O fim de tudo"

O presidente francês Emmanuel Macron disse não imaginar que os Estados Unidos venham a violar a soberania dinamarquesa. Já o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, afirmou que os europeus estão prontos para responder a qualquer forma de intimidação.

Para a primeira-ministra dinamarquesa, um ataque norte-americano contra um país da Otan significaria o colapso da ordem de segurança internacional construída após a Segunda Guerra Mundial.

"Não se trata apenas de um conflito com o Reino da Dinamarca, mas com toda a Europa", afirmou à televisão pública DR.

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, declarou que "o futuro da Dinamarca e da Groenlândia cabe exclusivamente ao povo dinamarquês e groenlandês". O Canadá também tem sido alvo das declarações expansionistas de Trump, que volta e meia afirma que o país deveria se tornar o 51º estado norte-americano.

França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Reino Unido reiteraram apoio a Copenhague em uma declaração conjunta, lembrando que a Dinamarca faz parte da Otan, assim como os Estados Unidos, ambos ligados por acordos de defesa. Os ministros das Relações Exteriores dos países nórdicos divulgaram comunicado semelhante.

Diversas vezes, a Groenlândia, com o apoio da Dinamarca, afirmou não estar à venda e que decidirá sozinha sobre seu futuro. A ilha ártica, com cerca de 57 mil habitantes, está há muito tempo no radar de Donald Trump, que a considera parte natural da esfera de influência dos Estados Unidos. O tema voltou com força após a operação militar norte-americana no Venezuela, reacendendo temores de uma escalada sem precedentes dentro da Otan.

RFI com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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