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América Latina

Justiça de El Salvador condena membros de gangues a penas de até mil anos de prisão

A Justiça de El Salvador condenou dezenas de integrantes da gangue Mara Salvatrucha (MS-13) a séculos de prisão, incluindo um deles a mais de mil anos, segundo informações divulgadas neste domingo (21). O episódio evidencia a "guerra" travada pelo governo do presidente Nayib Bukele contra os grupos criminosos no país da América Central, enquanto movimentos sociais questionam os métodos das forças de segurança.

22 dez 2025 - 12h48
(atualizado às 13h00)
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O Ministério Público de El Salvador informou que 248 membros da MS-13 receberam "condenações exemplares" por 43 homicídios e 42 desaparecimentos de pessoas, entre outros crimes, sem detalhar a data das sentenças ou se fazem parte de julgamentos coletivos.

Justiça de El Salvador condena membros de gangues a penas de até mil anos de prisão. (Imagem ilustrativa)
Justiça de El Salvador condena membros de gangues a penas de até mil anos de prisão. (Imagem ilustrativa)
Foto: © Alex Brandon / POOL/AFP / RFI

Um dos membros da gangue, classificada como terrorista pelos Estados Unidos, recebeu uma pena de 1.335 anos de prisão. Outros dez foram condenados a sentenças que variam entre 463 e 958 anos de reclusão, diz o comunicado divulgado no X.

O órgão judicial explicou que, entre os crimes cometidos por esses integrantes da MS-13, de 2014 a 2022, estão o assassinato de um universitário e de uma jogadora de futebol, múltiplos casos de extorsão a comerciantes, invasão de residências e tráfico de drogas.

Segundo o Ministério Público, as gangues "criaram bases em diferentes setores" da província de La Libertad (sudoeste do país), que "eram usadas para planejar todos os atos criminosos nessa jurisdição".

O grupo extorquia "vítimas que tinham negócios, exigindo quantias de dinheiro em troca de não atentarem contra suas vidas", detalhou o Ministério Público, alinhado a Bukele. "Algumas pessoas tiveram que fechar seus negócios, por medo das ameaças".

Prisões sem ordem judicial

Desde março de 2022, o governo de Bukele enfrenta as gangues amparado por um regime de exceção que permite prisões sem ordem judicial. Mais de 90 mil pessoas foram detidas e cerca de 8 mil foram liberadas por serem inocentes, segundo fontes oficiais.

Samuel Ramírez, líder de um movimento de familiares de detidos sob o regime de exceção que alegam inocência, afirma que concorda com a "aplicação da lei aos criminosos", mas questiona se a sentença cumpriu o "devido processo".

"Lamentavelmente, no momento, não há transparência nos processos judiciais em El Salvador", pondera Ramírez, que considera as penas elevadas "uma estratégia populista de marketing" a favor do presidente.

A ofensiva de Bukele contra as gangues reduziu os homicídios a níveis históricos no país, mas grupos de direitos humanos criticam a estratégia e apontam abusos por parte das forças de segurança. Segundo a organização Socorro Jurídico Humanitário, 454 salvadorenhos morreram nas prisões desde 2022.

Apesar das críticas, outros governos da região anunciaram que vão adotar medidas semelhantes contra a violência em seus territórios. Recentemente, Bukele aceitou compartilhar sua experiência com o presidente da Costa Rica, Rodrigo Chaves, que enfrenta um aumento da criminalidade no país e planeja construir uma prisão semelhante ao Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), a megaprisão salvadorenha símbolo do combate às gangues.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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