Donald Trump recebe Benjamin Netanyahu, que pede pressão total sobre o Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta quarta-feira (11) o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O premiê israelense quer convencer seu aliado a exercer uma pressão máxima sobre o Irã para encerrar os programas nuclear e balístico do país.
Este encontro, o sétimo entre os dois líderes desde o retorno do presidente republicano ao poder, ocorre de forma discreta. O líder israelense chegou à Casa Branca pouco antes das 11h locais (13h em Brasília), sem cerimônias especiais. Em seguida, ele divulgou uma foto mostrando um aperto de mãos com Donald Trump, mas a imprensa não foi convidada para a reunião no Salão Oval.
Desafios para Netanyahu
"É necessário incluir em qualquer negociação (entre o Irã e os Estados Unidos) a limitação dos mísseis balísticos e o congelamento do apoio ao eixo iraniano", ou seja, aos grupos armados ligados a Teerã na região, exigiu Benjamin Netanyahu antes de sua visita. A questão dos mísseis é importante para Israel, que está a cerca de dois mil quilômetros do Irã.
Benjamin Netanyahu afirma que a ação militar é a única maneira de resolver definitivamente a questão nuclear iraniana. Os Estados Unidos haviam bombardeado sites nucleares iranianos durante uma guerra de 12 dias, iniciada por Israel em junho.
Em Washington, Netanyahu se reuniu na noite de terça-feira com o enviado do presidente americano, Steve Witkoff, e o genro de Donald Trump, Jared Kushner. Eles "avaliaram o primeiro ciclo de negociações que mantiveram com o Irã na sexta-feira passada", segundo um comunicado do premiê israelense.
As opiniões de Trump
"Eu preferiria fazer um acordo", disse o presidente americano na terça-feira à Fox Business. Ele acrescentou que os iranianos seriam "idiotas" de recusar.
Donald Trump também afirmou ao site Axios que "estava considerando" reforçar com um segundo porta-aviões a frota dos Estados Unidos na região.
"Trump precisa demonstrar que o acordo, caso seja alcançado, será muito melhor do que o acordo do qual ele se retirou", concluído em Viena em 2015 e denunciado pelo republicano em 2018, durante seu primeiro mandato, observa Guy Ziv, professor de política externa na American University.
"Uma maneira de garantir isso é, claro, incluir os mísseis", mas é "altamente improvável que os iranianos aceitem", ele lembra à AFP.
As negociações
Após os primeiros diálogos em 6 de fevereiro em Omã, Washington e Teerã disseram que pretendem continuar o diálogo, embora suas posições ainda sejam muito distantes.
"As discussões estão limitadas à questão nuclear", afirmou Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança Nacional iraniano, em uma entrevista à Al Jazeera, reportada pela agência de notícias iraniana IRNA.
Larijani repetiu que Teerã se recusa a desistir completamente do enriquecimento de urânio e acusou Israel de tentar "sabotar" as negociações. Em caso de ataque americano, "atacaremos as bases (dos Estados Unidos) na região", acrescentou.
No entanto, Washington não quer se limitar ao nuclear. Os Estados Unidos buscam limitar o alcance dos mísseis balísticos iranianos e acabar com o apoio a grupos armados hostis a Israel, como os rebeldes Huthis do Iêmen, o movimento islâmico libanês Hezbollah e o Hamas palestino.
"Board of Peace"
Durante uma reunião, na quarta-feira, com o chefe da diplomacia americana Marco Rubio, Benjamin Netanyahu ratificou a participação de Israel no "Conselho de Paz" de Donald Trump, de acordo com seus assessores.
O premiê não aguardou a cerimônia oficial de inauguração deste novo formato multilateral, marcada para 19 de fevereiro, em Washington.
Segundo analistas, o líder israelense antecipou sua visita para tentar influenciar Donald Trump antes que o presidente americano se encontre, na próxima semana, com líderes árabes participantes do seu "Board of Peace".
Esses líderes poderiam defender uma abordagem mais cautelosa em relação ao Irã.
O órgão presidido por Trump foi idealizado para pôr fim à guerra na Faixa de Gaza, mas com um objetivo mais amplo, concorrente ao da ONU: resolver conflitos armados em todo o mundo.
Com AFP