Venezuela decreta prisão domiciliar para aliado de María Corina após 2ª detenção
Um aliado próximo da Nobel da Paz María Corina Machado foi levado para sua residência nesta terça-feira (10), onde cumprirá prisão domiciliar. Juan Pablo Guanipa foi detido novamente por se manifestar e exigir eleições após ter sido libertado de uma primeira detenção.
O ex-parlamentar, de 61 anos, passou quase nove meses preso, acusado de conspiração. Nas quase 12 horas em que esteve livre no domingo (8), visitou familiares de presos políticos, percorreu Caracas em uma caravana, gritou palavras de ordem em frente à temida prisão do Helicoide e exigiu novas eleições.
Pouco antes da madrugada de segunda-feira, o opositor e aliado da Nobel da Paz María Corina Machado foi novamente detido. A Promotoria da Venezuela argumentou que Juan Pablo Guanipa violou sua liberdade condicional e solicitou prisão domiciliar.
"Meu pai está na minha casa em Maracaibo", escreveu Ramón Guanipa, filho do ex-parlamentar na conta do opositor no X. "Ele continua injustamente preso, porque prisão domiciliar continua sendo prisão e exigimos sua liberdade plena e a de todos os presos políticos", completou.
Projeto de anistia geral
Juan Pablo Guanipa voltou a ser detido no momento em que o Parlamento da Venezuela debate um projeto de anistia geral que inclui os 27 anos do chavismo no poder. A iniciativa é impulsionada pela presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro durante uma operação militar dos Estados Unidos.
Cerca de 40 familiares de presos políticos protestaram nesta terça-feira em frente à Assembleia Nacional para exigir rapidez na aprovação da lei, que passa por uma consulta pública antes do segundo e definitivo debate. "Anistia já!", pediam. "Nenhum é criminoso, todos são inocentes".
Na sessão parlamentar desta terça-feira estava prevista a votação para libertação imediata dos presos políticos. Mas a sessão foi suspensa na véspera. O adiamento apenas "prolonga a dor das vítimas", protestou Andreína Baduel, à frente do Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos (Clippve).
"A lei não garante que haja justiça, por isso estamos aqui", acrescentou. A nova prisão de Guanipa "é uma mensagem exemplar... na Venezuela persiste o terrorismo de Estado", afirmou.
Baduel é filha do general Raúl Isaías Baduel, ex-ministro da Defesa de Hugo Chávez, que morreu na prisão em 2021. Ela tem ainda um irmão, Josnars Adolfo Baduel, detido há cinco anos, acusado de terrorismo.
A sessão parlamentar de quinta-feira está mantida, coincidindo com uma marcha convocada pelo chavismo por ocasião do Dia da Juventude.
Liberdade para todos os presos políticos
Delcy Rodríguez governa sob pressão de Washington. Além da anistia, cedeu controle no petróleo aos EUA e avança na retomada das relações diplomáticas, rompidas em 2019 por Maduro.
A presidente interina iniciou em 8 de janeiro um processo de libertação de presos políticos, que avança lentamente. Até a manhã de segunda-feira, 426 pessoas foram libertadas segundo a ONG Foro Penal. O número representa pouco mais de 50% dos 800 presos políticos que a ONG afirma existirem na Venezuela. Muitos deles foram detidos após a contestada reeleição de Nicolás Maduro.
"Os familiares continuam esperando a liberdade de todos os presos políticos", "Nem um nem dois, que sejam todos", entoavam os manifestantes que participaram do protesto nesta terça.
O processo de consultas da Lei de Anistia incluiu líderes políticos da oposição, decanos das faculdades de Direito e membros do Poder Judiciário. Até agora não houve uma reunião com as famílias.
Com AFP