Epstein: parlamentares americanos denunciam 'omissão' de seis nomes em documentos revelados em janeiro
Parlamentares americanos denunciaram na noite de segunda-feira (9) que os nomes de seis homens foram omitidos dos novos documentos revelados no final de janeiro - e sem nenhuma explicação por parte do ministério americano da Justiça.
O republicano Thomas Massie e o democrata Ro Khanna afirmam que provavelmente as personalidades ocultadas têm envolvimento no escândalo. Os dois parlamentares fazem parte de um grupo dos dois maiores partidos americanos, o Republicano e o Democrata, que têm acesso aos documentos não censurados e puderam compará-los aos arquivos "editados" pelo ministério da Justiça.
Thomas Massie e Ro Khanna se recusaram a revelar as identidades desses seis homens. No entanto, indicaram que um deles ocupa um alto cargo em um governo estrangeiro e outro é uma "ilustre personalidade".
A legislação americana autoriza omissões em condições estritas, essencialmente para preservar a privacidade das vítimas.
Por outro lado, a Justiça do país proíbe expressamente qualquer retenção de documentos sob o argumento do dano que sua publicação poderia causar a quem quer que seja — 'autoridade governamental, personalidade pública ou dignitário estrangeiro' — ou devido ao seu 'caráter politicamente sensível'.
Por isso, os congressistas pedem que o ministério da Justiça revise os arquivos e sua decisão de esconder as identidades de pessoas citadas nos arquivos.
Também ontem, Ghislaine Maxwell, ex-companheira e cúmplice de Epstein, se recusou a responder a perguntas do comitê do Congresso dos Estados Unidos sobre o caso. Como já era previsto, ela evocou o direito ao silêncio, previsto na Quinta Emenda da Constituição americana.
No entanto, Maxwell disse que aceita depor se o presidente americano, Donald Trump, lhe conceder um indulto.
A ex-companheira e cúmplice de Epstein é, até agora, a única pessoa condenada por um crime relacionado ao criminoso sexual, que foi encontrado morto na prisão em 2019. Ghislaine Maxwell foi considerada culpada em 2021 por tráfico sexual de menores sob a liderança de Epstein e cumpre uma pena de 20 anos de prisão em uma penitenciária do Texas, no sul dos Estados Unidos.
Reputações abaladas
Quase sete anos após ter sido encontrado morto em uma prisão de Nova York, Jeffrey Epstein continua manchando as reputações daqueles que tiveram contato com ele. Membros da realeza europeia, diplomatas e ex-líderes de governo enfrentam investigações ou precisam responder a perguntas difíceis.
Ser mencionado nos novos 3,5 milhões de documentos, e-mails, fotos e vídeos de Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos em 30 de janeiro não implica conduta ilícita, mas pode ser comprometedor.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, enfrenta uma crise por ter nomeado, em 2024, Peter Mandelson como embaixador nos Estados Unidos. Mandelson é mencionado milhares de vezes nos documentos e pode ter recebido transferências de dinheiro.
Mandelson enfrenta uma investigação policial após ter sido destituído do cargo em setembro e obrigado a deixar a Câmara dos Comuns na semana passada.
O eslovaco Miroslav Lajcák renunciou ao cargo de assessor de segurança nacional após ter sido revelado que, quando era chanceler do país, trocou mensagens sobre mulheres com Epstein.
Desgraças reais
Andrew Mountbatten-Windsor, que já perdeu os títulos de príncipe e duque de York por seus vínculos com Epstein, volta a ser implicado nas últimas revelações, entre elas uma foto que o mostra de joelhos e inclinado sobre uma mulher deitada.
A polícia britânica afirma que investiga uma possível má conduta pela divulgação de documentos confidenciais a Epstein quando Andrew era enviado comercial do governo. Sua ex-esposa, Sarah Ferguson, também aparece com estreitos vínculos com Epstein.
A princesa Mette-Marit, futura rainha da Noruega casada com o príncipe herdeiro Haakon, viu sua reputação manchada por trocar centenas de e-mails íntimos com o agressor sexual entre 2011 e 2014, após a primeira condenação do financista por incitação à prostituição de menores.
"Lamento profundamente minha amizade com Jeffrey Epstein", declarou Mette-Marit em comunicado.
Uma pesquisa recente indica que os noruegueses podem não desejá-la como futura rainha.
Demissões e investigações
A polícia da Noruega anunciou uma investigação do ex-primeiro-ministro Thorbjørn Jagland por suspeitas de "corrupção qualificada" devido aos seus vínculos com Epstein, juntamente com a diplomata Mona Juul e seu marido Terje Rød-Larsen.
São investigados vínculos de Jagland com o financista enquanto presidia o Comitê Nobel e era secretário-geral do Conselho da Europa.
Juul é investigada por suas relações com Epstein quando trabalhava no Ministério das Relações Exteriores, antes de se tornar embaixadora das Nações Unidas. No domingo, ela deixou de ser embaixadora da Noruega no Iraque e Jordânia.
O Fórum Econômico Mundial, encontro anual da elite política e financeira em Davos, investiga seu diretor-geral, Børge Brende, por mais de 100 mensagens de texto e e-mails, além de três encontros com Epstein.
Brende e outras personalidades, como o ex-ministro francês da Cultura Jack Lang, afirmaram não ter conhecimento das atividades criminosas do financista.
Lang deixou a direção do Instituto do Mundo Árabe, em Paris, enquanto sua filha, a produtora Caroline Lang, deixou a presidência de um sindicato de produtores de cinema, após a revelação dos seus vínculos pessoais e profissionais com Epstein.
Joanna Rubinstein demitiu-se como responsável pela angariação de fundos para a agência da ONU para refugiados (Acnur) na Suécia, por uma viagem que fez com a família para a ilha de Epstein, no Caribe, em 2012.
Onda expansiva nos Estados Unidos
O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e sua esposa, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, cederam às exigências para depor sobre Epstein ao Congresso, após serem ameaçados com uma ação por desacato.
Bill Clinton negou qualquer conduta imprópria, além de voar no jato particular de Epstein. Hillary Clinton disse que não teve contatos significativos com o financista.
O presidente americano, Donald Trump, é mencionado milhares de vezes, embora insista que é alvo de uma "conspiração" e que não foi acusado por nenhuma das vítimas de Epstein.
O magnata da Microsoft, Bill Gates, citado com frequência, lamentou "cada minuto passado" com Epstein. Sua ex-esposa, Melinda French Gates, afirmou que ele precisava se explicar, já que, nos documentos, Epstein afirma ter organizado encontros com mulheres para Bill Gates.
O ex-secretário do Tesouro americano Larry Summers renunciou à reitoria da Universidade de Harvard antes das publicações mais recentes.
Brad Karp deixou a direção do prestigioso escritório de advocacia Paul Weiss, e David Ross renunciou como diretor do Museu de Arte Americano de Nova York.
O bilionário Elon Musk é citado nos arquivos, mas afirma ter rejeitado os convites de Epstein para viajar à sua ilha no Caribe.
Com agências