Senado argentino dá sinal verde à reforma trabalhista de Milei em meio a protestos violentos
Depois de 14 horas de debate, o Senado argentino deu, nesta madrugada, o primeiro passo para transformar em lei a primeira reforma estruturante do governo do presidente Javier Milei. O texto segue agora à Câmara de Deputados. Do lado de fora do Congresso argentino, a jornada foi marcada por protestos violentos que resultaram em mais de 40 pessoas presas e seis policiais feridos.
Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires
Com 42 votos a favor — cinco a mais que o mínimo necessário — e 30 contra, o Senado argentino aprovou, na madrugada desta quinta‑feira, a versão inicial da reforma trabalhista do presidente Javier Milei, a primeira de suas reformas estruturantes
Foram 14 horas de debate e de negociações intensas. Depois de ceder em 50 pontos do texto original, o governo conseguiu formar uma maioria.
Essas alterações representam concessões aos sindicatos, especialmente os da Confederação Geral do Trabalho (CGT) que mantém as fontes de financiamento e o modelo sindical.
Também ganham as empresas que terão menos custo ao pagar horas extras, ao contratar e, sobretudo, ao demitir. Cria-se um fundo comum para facilitar as empresas a cobrir custos para as demissões.
Perdem os trabalhadores em direitos e benefícios: limitam-se os direitos à greve e às licenças, diminui-se o cálculo para indenizações e alteram-se as remunerações por horas extras.
"Retiraram os artigos que prejudicavam os sindicatos, mas deixaram os que prejudicam os trabalhadores", resumiu o sindicalista Rodolfo Aguiar, da Associação de Trabalhadores do Estado (ATE), ligada à combativa Central dos Trabalhadores Argentinos.
O presidente Javier Milei se manifestou nas redes sociais, classificando a aprovação como "histórica".
Enquanto o governo define as novas regras como "modernização", os sindicatos chamam de "recuo em 100 anos de conquistas". Enquanto o governo prevê a abertura de novos postos de trabalho, a oposição vê uma enxurrada de demissões.
Confrontos violentos
Por isso, centrais sindicais, organizações sociais e grupos de esquerda foram às imediações do Congresso para protestar contra a nova legislação que substitui a atual de 1974.
Houve enfrentamento com as forças de segurança. Vandalismo, pedras lançadas e bombas de coquetel molotov por parte dos manifestantes; bombas de gás lacrimogêneo, projéteis de borracha e jatos d'água de caminhões hidrantes por parte da Polícia.
No total, seis policiais ficaram feridos e 43 manifestantes foram presos.
O embate segue agora para a Câmara de Deputados. Milei quer a reforma aprovada antes do dia primeiro de março para exibir um sinal de força política aos mercados.