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América Latina

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Disputa voto a voto dá vantagem para candidato de esquerda no Peru, mas resultado pode demorar dias

A apuração das eleições no Peru indicava, na segunda-feira (8), uma virada apertada do candidato da esquerda, Roberto Sánchez, sobre a líder da direita, Keiko Fujimori, com 50,1% contra 49,9%, após a apuração de cerca de 95% dos votos. O resultado segue indefinido devido a centenas de milhares de votos contestados e ainda em análise, mantendo a tensão em um país marcado por forte divisão política, crise institucional persistente e desafios como insegurança e fragmentação no Congresso.

9 jun 2026 - 05h57
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A apuração do segundo turno presidencial no Peru passou a indicar, na tarde de segunda-feira (8), uma virada apertada do candidato de esquerda Roberto Sánchez sobre a conservadora Keiko Fujimori.

A diferença entre os dois, dentro da margem estatística, mantém o resultado indefinido, já que cerca de 400 mil a 450 mil votos registrados em atas contestadas ainda precisam ser examinados, processo que pode se estender por vários dias.

O próprio candidato de esquerda adotou tom cauteloso ao comentar o avanço, afirmando estar "confiante e otimista", mas ressaltando a necessidade de aguardar a totalização final. Do outro lado, Fujimori também pediu calma, defendendo "paciência e serenidade" e prometendo respeitar o resultado, "qualquer que seja".

Apoio à esquerda vem do interior

A indefinição ocorre em um cenário de forte polarização política e social, com o pleito expondo novamente as divisões estruturais do país. O litoral urbano, especialmente a capital, Lima, tende a apoiar a candidata da direita, enquanto as regiões andinas, rurais e indígenas concentram o respaldo a Sánchez.

Analistas destacam que qualquer resultado dificilmente produzirá pacificação política imediata. "Quem vencer terá metade do país contra si", afirmou Paulo Vilca, do Instituto de Estudos Peruanos.

O quadro reforça a continuidade de uma instabilidade que marca a política peruana nos últimos anos: oito presidentes se sucederam desde 2016, em meio a crises institucionais recorrentes e conflitos entre Executivo e Legislativo.

País dividido e disputa voto a voto

A votação de domingo (7), que mobilizou cerca de 27 milhões de eleitores - em um sistema de voto obrigatório - transcorreu sem incidentes relevantes, ao contrário do primeiro turno, realizado em 12 de abril, marcado por falhas operacionais e acusações de fraude em um cenário com número recorde de candidaturas.

Mesmo antes da definição oficial, apoiadores dos dois candidatos foram às ruas da capital, Lima, na noite de domingo (7). De um lado, simpatizantes de Sánchez celebravam antecipadamente a possibilidade de mudança política, criticando o legado do fujimorismo e associando-o a práticas de corrupção.

Do outro, eleitores de Keiko Fujimori demonstravam confiança na vitória, destacando a expectativa de estabilidade e retomada econômica. A candidata disputa pela quarta vez consecutiva a presidência e sustenta uma plataforma que associa crescimento econômico ao combate rigoroso à criminalidade.

Insegurança como tema central de campanha

A insegurança tornou-se um dos temas centrais da campanha. Em Lima, a taxa de homicídios alcançou 23 por 100 mil habitantes em 2025, três vezes mais que cinco anos antes. Fujimori propôs ampliar o papel das Forças Armadas no apoio à polícia, combater redes de extorsão e deportar estrangeiros em situação irregular condenados por crimes.

Sánchez, por sua vez, centrou sua campanha na reconstrução da confiança institucional, propondo fortalecimento do sistema de Justiça e uma reforma das forças policiais. Deputado e ex-ministro, ele disputa pela primeira vez a chefia do Executivo, impulsionado pelo apoio nas regiões andinas.

O candidato também associa sua trajetória política à do ex-presidente Pedro Castillo, atualmente preso após tentativa fracassada de dissolver o Congresso em 2022, e já indicou que poderá conceder perdão ao aliado caso seja eleito.

Cenário pós-eleitoral adverso

Independentemente de quem saia vencedor, o próximo governo enfrentará um ambiente político adverso. O Congresso peruano, dotado de amplos poderes, tem desempenhado papel central na queda de presidentes recentes, impondo dificuldades à governabilidade.

Nenhum dos dois candidatos conta com maioria parlamentar, o que exigirá a formação de alianças para sustentar o mandato até 2026. O futuro chefe de Estado tem posse prevista para 28 de julho, data simbólica da independência do país.

Além da fragmentação institucional, persistem dúvidas sobre a capacidade de estabilizar o sistema político e conter o avanço da violência urbana, temas que atravessaram toda a campanha eleitoral.

Sánchez também enfrenta questionamentos judiciais: um juiz determinou que ele responda a processo por supostas irregularidades financeiras em sua legenda, embora isso não tenha impacto direto na validade de sua candidatura no pleito atual.

No campo internacional, o candidato afirmou que pretende manter relações "respeitosas" com o presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizando uma abordagem pragmática na política externa, em contraste com discursos mais ideológicos adotados por aliados regionais.

A demora na proclamação oficial do resultado reforça a tensão no país, que aguarda a conclusão da contagem e a validação dos votos contestados para conhecer o novo presidente.

Com AFP

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