Toffoli se declara suspeito em julgamento do ex-presidente do BRB ligado ao caso Master
Julgamento que decidirá pela manutenção ou não da prisão preventiva de Paulo Henrique Costa e do advogado Daniel Monteiro termina sexta
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), se declarou suspeito, na manhã desta quarta-feira, 22, para julgar a manutenção da prisão preventiva de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e de Daniel Lopes Monteiro, advogado apontado como operador jurídico-financeiro de Daniel Vorcaro.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
O julgamento no STF começou nesta quarta, em sessão virtual, com previsão de ser finalizado na sexta-feira, 24. O relator, o ministro André Mendonça, votou a favor da manutenção das prisões preventivas, e foi acompanhado pelo ministro Luiz Fux.
Ainda faltam os votos dos ministros Gilmar Mendes e Nunes Marques, que completam a composição da Segunda Turma.
A declaração de suspeição por parte de Toffoli acontece após ele também ter se declarado suspeito no processo do caso Banco Master no STF.
Na ocasião, ele chegou a acolher uma reclamação apresentada pela defesa de Vorcaro, para depois deixar o posto após ter seu nome mencionado em diálogos de Vorcaro divulgados pela Polícia Federal.
Prisões preventivas
As prisões ocorreram na última quinta-feira, 16, na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que apura crimes do banqueiro Daniel Vorcaro e do Banco Master contra o sistema financeiro nacional. São apontados delitos como gestão fraudulenta de instituição financeira, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Segundo a PF, o Banco Regional de Brasília injetou R$ 12 bilhões na instituição de Daniel Vorcaro, o Master, comprando carteiras de crédito consignado fraudulentas. A operação deu prejuízo bilionário ao BRB, que ainda não calculou a cifra final e adiou a divulgação do seu balanço de 2025.
A investigação aponta que o ex-presidente da instituição recebeu propina de Vorcaro de cerca de R$ 140 milhões, por meio da transferência de seis imóveis de luxo. Além dele, foi preso o advogado Daniel Monteiro. Ele teria sido o responsável por montar a estrutura da operação de lavagem de dinheiro para o repasse da propina.
A defesa do advogado Daniel Monteiro informou que "sua atuação sempre se deu de forma estritamente técnica, na condição de advogado do Banco Master e de diversos outros clientes, sem qualquer participação em atividades alheias ao exercício profissional. Daniel está à disposição da Justiça e confia que os fatos serão integralmente esclarecidos".
Na decisão que autorizou as prisões, Mendonça afirmou que elementos reunidos pela PF indicam a existência de um esquema para viabilizar a negociação de carteiras de crédito fictícias entre o Banco Master e o BRB. Segundo o ministro, as operações podem ter alcançado cerca de R$ 12,2 bilhões, mesmo diante de pareceres técnicos contrários à sua realização.
Para o relator, há indícios de que a atuação do ex-presidente do Banco Regional de Brasília vai além de falhas administrativas, em adesão consciente ao esquema investigado.
*com informações do Estadão

Comentários
As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.