Fachin admite crise no Poder Judiciário: "Sempre que o juiz parecer atuar como agente político, perde-se a confiança pública"
Fala ocorreu nesta sexta durante palestra do magistrado em evento na FGV-SP
Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin admitiu nesta sexta-feira, 17, que o Brasil está imerso em uma crise no Poder Judiciário. A fala ocorreu durante uma palestra do magistrado em um evento na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP).
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“Sempre que o juiz parecer estar atuando como agente político disfarçado de intérprete jurídico, perde-se a confiança pública”, disse Fachin.
O presidente do STF afirmou que é preciso enfrentar essa crise, mas com atenção para não repetir “soluções velhas” para “problemas novos”.
“É uma crise que precisa ser enfrentada. E enfrentada com olhos de ver e ouvidos de ouvir, sob pena de repetirmos, para problemas novos, soluções velhas que significam simplesmente relegar os problemas, sem resolvê-los”, concluiu.
Dados do Datafolha divulgados em março mostraram que o percentual de entrevistados que afirma não confiar no STF chegou a 43%, o maior valor registrado desde o início da série histórica, em 2012.
O escândalo do Banco Master expôs ainda mais os magistrados, uma vez que ministros e parentes firmaram contratos e sociedades com agentes investigados na Operação Compliance Zero.
Fachin propôs, no início de seu mandato como presidente do STF, a criação de um código de ética para os ministros da Corte.
No entanto, em fevereiro, o magistrado arquivou uma ação que pedia a suspeição do ministro Dias Toffoli no caso Master. Toffoli, que admitiu ter recebido recursos de um fundo ligado ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, declarou-se suspeito em março.
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