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Justiça

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'Mataram meu filho pela terceira vez', diz pai de Henry Borel após perdão judicial a Monique

Leniel Borel ironizou justificativa dada por juíza para o perdão judicial e cobrou a responsabilização da mãe do menino

4 jun 2026 - 08h28
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Leniel Borel, pai de Henry Borel, ficou indignado com decisão de juíza de conceder perdão judicial a Monique Medeiros
Leniel Borel, pai de Henry Borel, ficou indignado com decisão de juíza de conceder perdão judicial a Monique Medeiros
Foto: Reprodução/GloboNews

O pai de Henry Borel, Leniel Borel, criticou o perdão judicial dado a Monique Medeiros, mãe do menino, no julgamento que terminou na madrugada desta quinta-feira, 4. "Mataram o meu filho pela terceira vez", afirmou a jornalistas após a conclusão do julgamento. 

Henry Borel Medeiros tinha 4 anos quando foi assassinado, em março de 2021. Na ocasião, ele foi levado ao hospital por Monique e seu então marido, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o "Dr. Jairinho". Eles disseram que Henry teria caído da cama e apresentado dificuldades para respirar. Quando chegou à unidade de saúde, porém, o menino já estava morto.

Um laudo produzido no mesmo dia apontou que a causa da morte foi uma hemorragia interna provocada por laceração hepática decorrente de ação contundente, ou seja, o fígado da criança se rompeu em razão de um forte impacto.

Ao decidir pelo perdão judicial à Monique, a juíza Elizabeth Machado Louro afirmou que a mulher "já sofreu um castigo severo o suficiente". A magistrada também criticou o que classificou como uma "reação desproporcional da sociedade", que considerou discriminatória e reflexo de uma cultura que exige da mulher o papel de "mãe perfeita".

Leniel criticou a justificativa dada pela juíza. "O que foi falado ali agora é que a misoginia matou o Henry. O Henry, ele representa essas milhares de crianças que são vítimas todo dia, e por causa de decisões como essa, que se abre precedente para outras mães, genitoras, que possam matar os seus filhos, que possam permitir que os seus filhos sejam mortos", disse. 

"Como é que eu vou falar para minha mãe que está aqui do meu lado, que é uma guerreira, que me defendeu, a avó do Henry. Como é que eu vou falar para ela, uma mãe que cuidou de mim, do meu irmão, mãe solo, como é que eu vou falar para ela que foi a misoginia da sociedade que matou o Henry? Porque quem tinha o dever, quem era garantidora e tinha o dever de garantir a proteção do Henry se chama Monique, que estava naquele apartamento com o Jairo", continuou o pai. 

Condenação de Jairinho

O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o "Dr. Jairinho", foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte do menino Henry. A condenação foi definida após 11 dias de julgamento no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Já Monique Medeiros, mãe da vítima, teve a acusação de homicídio doloso desclassificada para homicídio culposo -- quando não há intenção de matar -- e recebeu o perdão judicial.

O julgamento, iniciado em 25 de maio, foi encerrado com a leitura da sentença pela juíza Elizabeth Machado Louro. Ao anunciar a condenação de Jairinho, a magistrada destacou a "violência desproporcional" e a "rara e desmesurada covardia" praticadas contra a criança, que descreveu como doce e bondosa.

A juíza afirmou ainda que o condenado possui uma "personalidade insidiosa", capaz de simular gentileza para ocultar uma natureza truculenta e de extrema periculosidade.

Jairinho foi condenado por homicídio triplamente qualificado -- por motivo torpe, emprego de meio cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima --, com aumento de pena pelo fato de Henry ser menor de 14 anos. Ele também foi condenado pelos crimes de tortura e coação no curso do processo. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado. Além disso, ele foi condenado a pagar R$ 400 mil por danos morais ao pai de Henry, Leniel Borel.

Fonte: Portal Terra
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