PF rejeita pela segunda vez proposta de delação de Daniel Vorcaro; PGR segue analisando material
Banqueiro preso desde março tentou reformular colaboração com novos anexos, mas investigadores consideraram que informações não eram novos
A Polícia Federal rejeitou pela segunda vez a proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A decisão foi comunicada ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e também à defesa do empresário.
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A PF encerrou sua avaliação sobre o material, mas a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda não se manifestou oficialmente. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, determinou que a equipe responsável examine a documentação com cuidado e, até o momento, não há previsão para a conclusão da análise.
Na avaliação dos investigadores, a nova versão da colaboração não trouxe informações capazes de acrescentar fatos relevantes ao que já foi reunido durante a investigação. Entre os elementos já conhecidos pela PF estão dados extraídos do próprio celular de Vorcaro.
Se trata da segunda negativa recebida pelo banqueiro. A primeira proposta havia sido recusada em 20 de maio. Na ocasião, apesar da rejeição da Polícia Federal, a PGR sinalizou interesse em manter as negociações abertas e permitiu que a defesa apresentasse complementos ao material.
No primeiro caso, o entendimento do Ministério Público era de que a colaboração possuía inconsistências, mas também continha pontos que poderiam justificar o aprofundamento das investigações. Por isso, as tratativas continuaram. Após a primeira recusa, Vorcaro substituiu sua equipe de advogados e reformulou a proposta. A nova versão incluiu anexos adicionais e alterações em alguns relatos. Um dos exemplos foi a mudança na descrição de pagamentos atribuídos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). O que antes era justificado como resultado de uma "relação de amizade" passou a ser descrito como pagamento de propina.
Mesmo com as modificações, a Polícia Federal manteve a avaliação de que o banqueiro não apresentou uma colaboração considerada completa. Investigadores entendem que ele continuaria selecionando informações e preservando pessoas de seu círculo de relações, o que comprometeria a efetividade da delação.
Daniel Vorcaro está preso desde o início de março por determinação do ministro André Mendonça. Segundo a investigação, há indícios de que ele teria utilizado uma milícia armada para intimidar adversários e recorrido a um grupo de hackers para invadir sistemas de órgãos responsáveis por investigações.
*Com informações do Estadão

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