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Política

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Saída de Alfredo Gaspar da disputa pelo Senado por AL abre caminho para Lira no Estado

Relator da CPI do INSS foi confirmado como vice de Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência; deputado federal pelo PP disputa uma das duas vagas no Senado por Alagoas

6 ago 2026 - 04h46
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BRASÍLIA - A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para ser vice de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa à Presidência da República tem efeito direto na eleição para as duas vagas ao Senado por Alagoas, fortalecendo a candidatura do deputado federal Arthur Lira (PP), que pode herdar parte dos votos da direita no Estado.

Gaspar foi o relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social, que foi instalada para investigar desvios de benefícios de aposentados e pensionistas. Em seu parecer final, ele chegou a pedir a prisão preventiva do empresário Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suspeita de que teria relação com Antônio Camilo Antunes, o "Careca do INSS".

Ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas, Gaspar liderava as pesquisas de intenção de voto ao Senado no Estado. Levantamento da Paraná Pesquisas divulgado no início de julho apontava o deputado com 40,4% das intenções de voto, ante 39,8% de Lira e 36,4% de Renan Calheiros (MDB) - em situação de empate técnico.

A saída de Gaspar da corrida favoreceria principalmente a candidatura de Lira. Mas também pode representar um revés à tentativa bolsonarista de assumir o controle da maioria do Senado. Isso porque Gaspar tem um alinhamento ideológico maior com as pautas do grupo, como impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Lira, que se identifica com o campo da direita, tem uma postura mais discreta.

Como presidente da Câmara, Lira já defendeu que a Corte se atenha a suas competências. Em 2025, como deputado, criticou a prisão domiciliar e as medidas cautelares determinadas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) - a quem o alagoano declarou apoio na eleição de 2022. Além disso, Lira articulou a votação do projeto de dosimetria, que reduziu as penas de Bolsonaro e outros condenados pelo 8 de Janeiro.

Enquanto presidente da Câmara, no entanto, Lira impôs uma derrota à tentativa bolsonarista de ressuscitar o voto impresso no País - uma proposta de emenda à Constituição nesse sentido foi enterrada na Casa legislativa. No final de julho, retomou seu discurso de reeleição à Presidência da Câmara, no qual defendeu ser a hora de "desinflamar o Brasil".

"Continuo acreditando que o diálogo, o respeito às diferenças e a construção de consensos são fundamentais para fortalecer a democracia e gerar resultados para todos", escreveu em uma rede social. Lira vem de quatro mandatos na Câmara dos Deputados e, ao tentar o Senado, segue os passos de seu pai, Benedito de Lira, que foi senador de 2011 a 2019.

Já Renan, aliado de Lula, também se consolidaria como um dos fortes candidatos a uma das vagas. Na eleição de 2022, o petista obteve 58,68% dos votos no segundo turno - ele venceu em 89 dos 102 municípios de Alagoas.

Estadão
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