André Mendonça autoriza volta de Daniel Vorcaro à cela especial onde Bolsonaro ficou preso na PF em Brasília
Banqueiro do Banco Master havia sido transferido para cela comum
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta sexta-feira, 22, o retorno do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a cela especial localizada na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília.
A decisão determina, com urgência, que a PF reconduza Vorcaro ao alojamento onde estava custodiado anteriormente, mantendo as demais regras de segurança da unidade.
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O espaço é o mesmo onde o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou detido antes de ser transferido para a chamada Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda.
Trata-se da sala de Estado-Maior que havia sido reformada para abrigar Bolsonaro durante o cumprimento da prisão. Vorcaro utilizava o local para trabalhar em sua proposta de delação premiada junto aos advogados e passava boa parte do dia em reuniões com a defesa.
O banqueiro havia sido transferido para uma cela comum na carceragem da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal na última segunda-feira, 18.
Com a mudança, passou a ser submetido às regras internas da PF para visitas de advogados, que permitem até duas visitas diárias, com duração máxima de 30 minutos cada.
Desde então, a defesa tentava o retorno de Vorcaro à sala de Estado-Maior. Nos pedidos encaminhados ao STF, os advogados afirmaram que a cela comum apresentava condições inadequadas, com espaço reduzido, ausência de chuveiro e janelas, iluminação artificial precária, paredes mofadas e falta de circulação de ar. Também alegaram risco à segurança do banqueiro devido à exposição pública do caso.
A defesa sustentou ainda que a transferência prejudicava as negociações em torno da proposta de colaboração premiada, uma vez que a limitação no tempo de contato com os advogados afetaria o exercício da ampla defesa e o aprimoramento do material apresentado às autoridades.
Na decisão, André Mendonça afirmou que as informações apresentadas pela defesa, somadas ao parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), indicavam que a permanência em cela comum “não se mostra a providência adequada”, destacando que o espaço era voltado a custódias transitórias e de curta duração.
A PGR não apoiou a substituição da prisão preventiva por domiciliar, mas concordou com o retorno ao alojamento anterior. O órgão avaliou que a cela comum oferecia riscos diante da exposição midiática do caso e da vulnerabilidade do custodiado, defendendo condições mínimas adequadas de segurança e custódia.
O ministro também considerou que não havia prejuízo operacional relevante para a Polícia Federal em manter Vorcaro no alojamento anterior, já que os espaços ficam no mesmo complexo de custódia.
Investigadores avaliam a volta à cela especial como uma nova oportunidade para o banqueiro avançar nas tratativas de colaboração, após a proposta de delação ter sido rejeitada pela Polícia Federal e seguir sob análise da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Também nesta sexta-feira, após uma série de desgastes e reveses relacionados à condução da negociação da delação, o advogado José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, anunciou sua saída da defesa de Vorcaro.
Ainda não foi definido um substituto. No momento, a equipe jurídica segue sob responsabilidade do advogado Sérgio Leonardo, considerado pessoa de confiança do banqueiro.
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