Jornalista volta de Londres após apenas 10 dias
O sonho de morar em Londres e ter uma vida melhor no exterior acabou em apenas 10 dias para o jornalista gaúcho Daniel Vidor. Não, ele não foi deportado, não teve problemas com a língua, nem foi mal-recebido na terra da rainha. Ele só chegou à conclusão que, para chegar a um padrão de vida no Reino Unido semelhante ao que tinha no Brasil, ainda levaria muito tempo. E por isto Daniel, que viajou com seu passaporte italiano - a garantia do direito de permanência -, não estava disposto a passar. "Londres é ótima para se conhecer, mas péssima pra se morar", afirma o jornalista.
Ele cita como um dos principais problemas da cidade as moradias, em geral muito caras e extremamente pequenas. Segundo Daniel, a maioria dos apartamentos localizados nas áreas mais centrais são, na verdade, quartos de antigas residências, que dificilmente conseguem acomodar mais de uma pessoa. O gaúcho lembra inclusive de um apartamento onde a cozinha ficava dentro de um armário embutido. Se a pessoa quiser uma moradia mais ampla em Londres, segundo Daniel, terá que optar por morar no subúrbio, que pode ficar até uma hora e meia distante do centro pelo metrô.
O transporte também pode fazer a capital britânica virar um inferno, na opinião do jornalista. Ele acha o sistema metroviário da cidade bastante eficiente e geralmente pontual, mas, ao menor atraso, a cidade se transforma em um pandemônio, superlotando os ônibus e os táxis. A comida também foi um desestímulo para Daniel, que descreveu a culinária local como "insossa".
Vantagens? Sim, Londres tem várias, diz o jornalista, como ter um povo muito bem-educado, uma beleza inegável e uma qualidade de vida muito superior à brasileira. Entretanto, após pesar todos os prós e contras, Daniel tomou a difícil decisão de fazer as malas de novo e voltar para casa. Ele desembarcou em Porto Alegre no último dia 21 de abril.
Após esta experiência mal-sucedida, Daniel não cogita mais morar fora do Brasil. Segundo ele, as vantagens que muitos países têm sobre o Brasil - saúde, segurança, cidadania, educação, avanço tecnológico e desenvolvimento econômico - não compensam o fato do nosso País ter um acesso mais fácil e barato a uma série de coisas, como moradia, alimentação, custo de vida e a aquisição de bens duráveis, como carros, por exemplo.
"A vida é feita da opção por pacotes, da mesma maneira como viajar através de uma agência de turismo", compara o jornalista. "Assim como eu posso optar por me hospedar em um hotel mais barato e pagar menos, ou então viajar de classe econômica ou executiva, eu também posso abrir mão de algumas coisas em favor de outras na minha vida", diz.
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