Jornalista gaúcho se muda para Londres
A obtenção da cidadania italiana foi fundamental para os planos do jornalista gaúcho Daniel Vidor, de 31 anos, de viver fora do Brasil. Com a dupla cidadania, emitida em 1999 por ser descendente de italianos, o caminho ficou livre para ele fixar residência e poder trabalhar sem restrições em praticamente todos os países da Europa ocidental. Na manhã desta quinta-feira, 11 de abril, ele embarca para Londres, onde tentará dar continuidade à sua carreira em planejamento estratégico para Internet, área em que atua há pouco mais de um ano.
Segundo ele, os motivos para esta mudança radical são segurança, fatores financeiros, culturais e o trabalho. "As empresas européias tem uma relação menos contundente com seus funcionários", ressalta Daniel. Ele diz ainda que o Reino Unido não foi a primeira opção. Dinamarca, Holanda, Bélgica e Suécia foram outros países onde pensou em se instalar. Londres foi a escolhida primeiro por sua estrutura - ele já tem amigos morando lá - e depois pela língua, além do charme da cidade.
Os parentes de Daniel receberam a notícia da partida com certa tristeza, enquanto os amigos tiveram "um misto de surpresa, boa inveja e tristeza". "O que mais vamos lamentar são pelas parcerias que ficarão aqui", diz o jornalista. Em Porto Alegre, onde morava, Daniel se desfez de tudo: apartamento, carro, móveis... na viagem, vão só as roupas. Ele só não se livrou dos álbuns de foto, das roupas, da coleção de canecas e da biblioteca. Isso tudo vai para Londres depois, por transporte marítimo.
Nos primeiros dias, Daniel vai ficar em um hotel próximo a Victoria Station. Depois, ele pretende alugar um flat, provavelmente na Zone 2. O emprego já está encaminhado, mas ainda não está 100% definido. "É muito difícil que uma empresa britânica contrate alguém que não esteja no Reino Unido", diz.
Daniel pretende ficar definitivamente na Europa, mas admite que no futuro pode querer voltar. "Infelizmente o Brasil não oferece condições adequadas de vida para sua população", afirma. O jornalista lembra que uma grande parte da mão-de-obra jovem com formação universitária sai do Brasil para trabalhar no exterior. "Mesmo que todos os problemas do país sejam resolvidos hoje, ainda assim seriam necessárias décadas para que a situação se normalizasse", afirma. "A opção foi tomar o caminho de volta de meus antepassados imigrantes".
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