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Covid: Propaganda na Austrália com imagem 'chocante' de paciente gera polêmica

Críticos dizem que vídeo de mulher com falta de ar é injusto com jovens que ainda não podem tomar vacina.

13 jul 2021 09h18
| atualizado às 09h26
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Anúncio governamental veiculado na Austrália está sendo muito compartilhado online
Anúncio governamental veiculado na Austrália está sendo muito compartilhado online
Foto: Twitter / BBC News Brasil

Uma propaganda do governo da Austrália sobre vacinação provocou uma enxurrada de críticas devido às fortes imagens de uma jovem sofrendo em decorrência da covid-19.

O anúncio mostra a mulher em uma cama de hospital com falta de ar enquanto está conectada a um ventilador.

A seguinte mensagem encerra o vídeo: "A covid-19 pode afetar qualquer pessoa... Agende sua vacinação."

Os críticos dizem que o anúncio, que busca estimular a vacinação, visa a população jovem de maneira injusta, já que os menores de 40 anos só terão acesso às vacinas no final do ano.

O anúncio está sendo exibido apenas em Sydney, que está enfrentando um surto da variante Delta e está em sua terceira semana de lockdown.

As autoridades registraram 112 novos casos na segunda-feira (12/7), elevando o total para mais de 700 casos desde a primeira detecção dessa variante, em meados de junho.

O lançamento do anúncio faz parte de uma campanha maior de vacinação - 'Arm Yourself' (Arme-se) -, que foi lançada no domingo.

"Completamente ofensivo veicular um anúncio como este quando os australianos nessa faixa etária ainda estão esperando por suas vacinas", escreveu no Twitter o jornalista australiano Hugh Riminton.

"Por que temos como alvo (da propaganda) os jovens? Não deveríamos ter como alvo o aumento da taxa de hesitação contra vacina em pessoas com mais de 55 anos?", disse outro usuário do Twitter.

Alguns profissionais de saúde pediram que o vídeo fosse retirado do ar, chamando-o de "insensível".

No entanto, o governo defendeu a propaganda. O diretor de saúde da Austrália, Paul Kelly, disse que o objetivo era "ser explícito" para "passar a mensagem" sobre a necessidade de ficar em casa, fazer o teste e agendar a vacinação.

"Estamos fazendo isso apenas por causa da situação em Sydney", disse ele.

No domingo, as autoridades da maior cidade da Austrália registraram a primeira morte neste surto - foi a primeira vítima fatal de covid contraída localmente no país durante todo o ano.

O surto em Sydney gerou críticas generalizadas ao plano de vacinação do governo federal - que começou em fevereiro, mas foi comprometido pela falta de fornecimento de vacina da Pfizer, complacência do governo e mensagens confusas de saúde pública sobre os riscos da vacina da AstraZeneca.

Apenas cerca de 26% da população da Austrália tomou pelo menos a primeira dose da vacina contra a covid-19. E aproximadamente 10% dos australianos estão totalmente vacinados, segundo dados colhidos até 11 de julho.

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