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Covid: Agências de espionagem dos EUA concluem que coronavírus não é 'arma química', mas não conseguem saber origem

Investigação pedida por Joe Biden não apresentou resultados conclusivos. Há dúvida se o vírus surgiu de um acidente em laboratório ou se veio da contaminação de um animal.

28 ago 2021 08h27
| atualizado às 08h35
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O coronavírus matou 4,5 milhões de pessoas em todo o mundo
O coronavírus matou 4,5 milhões de pessoas em todo o mundo
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Agências de inteligência dos Estados Unidos chegaram à conclusão de que o coronavírus não foi desenvolvido para servir de "arma química", mas não conseguiram determinar a origem dele.

Os investigadores estão divididos sobre se o vírus surgiu na natureza ou se vazou acidentalmente de um laboratório. O relatório emitido pelo escritório que coordena as 18 agências de espionagem dos EUA, entre elas a CIA, descartou, porém, que tenha sido produzido como arma biológica.

Especialistas advertem que o tempo está se esgotando para coletar informações cruciais sobre a origem do vírus. O ministro de Relações Exteriores da China criticou o relatório, a que chamou de "anticientífico".

Divisão

O relatório do Escritório da Diretoria de Inteligência Nacional disse que não há consenso na comunidade de inteligência dos EUA sobre a origem mais provável do coronavírus.

"Todas as agências entendem que há duas hipóteses plausíveis: exposição natural a um animal infectado e incidente associado a laboratório."

De acordo com o relatório, diversas agências de espionagem acreditam que a covid-19 surgiu da "exposição natural a um animal infectado pelo coronavírus ou por um vírus progenitor similar". Mas elas apontaram "confiança baixa" nessa conclusão.

Outra agência de inteligência disse ter "confiança moderada" de que a primeira infecção humana veio de um "incidente associado a laboratório", no Instituto de Virologia de Wuhan, na China, que estuda coronavírus em morcegos há mais de uma década.

Críticas à China

O presidente americano Joe Biden divulgou uma declaração após a publicação do relatório criticando a China por não cooperar com a investigação.

"Informações críticas sobre as origens dessa pandemia existem na República Pupular da China, mas, desde o início, autoridades do governo na China têm trabalhado para impedir investigadores internacionais e membros da comunidade de saúde global de acessar (esses dados)", disse Biden.

"O mundo merece respostas, e não vamos descansar até que as tenhamos", acrescentou.

A pandemia, que já matou quase 4,5 milhões de pessoas em todo o mundo, teve início na cidade chinesa de Wuhan em dezembro de 2019.

Uma equipe da Organização Mundial da Saúde, que visitou Wuhan, concluiu neste ano que a doença provavelmente se espalhou de um animal vendido num mercado de alimentos.

Mas essa conclusão foi rebatida por alguns cientistas. Em maio, Biden pediu às agências de inteligência dos EUA para analisarem os dados e produzirem um relatório que "nos aproximasse de uma conclusão definitiva" sobre a origem do vírus.

A China, enquanto isso, tem alimentado informações infundadas de que o vírus se origou do Forte Detrick, uma instalação militar nos EUA.

Na semana passada, a Organização Mundial da Saúde disse que, em breve, seria "biologicamente impossível" coletar evidências que datassem da origem do vírus.

"A janela de oportunidade para conduzir essa investigação crucial está se fechando rapidamente", alertou, pedindo que pesquisadores e governos acelerassem as pesquisas.

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