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Marcha global pelo clima mobiliza ativistas em diversas cidades brasileiras

No Brasil, as manifestações ocorreram em São Paulo, no Rio e em Brasília. Atos foram registrados também em mais de 150 países, como Estados Unidos, Alemanha e Austrália

20 set 2019
12h35
atualizado às 21h38
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SÃO PAULO - Em defesa do meio ambiente, jovens e ativistas de diversas partes do mundo se uniram na greve mundial pelo clima, nesta sexta-feira, 20, para cobrar medidas emergenciais contra o aquecimento global. As manifestações ocorreram em mais de 150 países, entre eles Estados Unidos, Alemanha, Grécia, Japão, Austrália e Brasil. Em São Paulo, centenas de manifestantes também se reuniram, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, desde o fim da tarde desta sexta. Atos também ocorreram no Rio e em Brasília.

Puxando a marcha, na Avenida Paulista, um cordão com dezenas de crianças segurando cartazes e faixas com desenhos que remetiam ao meio ambiente. Em alguns deles, era possível ler frases como "estão destruindo o planeta" e "luta como uma criança". Luiza Cavalcante Oliveira, de 11 anos, disse estar "indignada" com o que tem visto na televisão sobre as queimadas da Amazônia. Desde abril, ela participa do Conselho Mirim da Câmara Municipal. "Fiquei triste, revoltada. Queria viajar para lá (a floresta) ajudar, mas não dava né? Decidi fazer algo aqui mesmo" disse, acompanhada por outras crianças do Conselho.

O estudante Arthur Prado, de 14 anos, disse que, para ajudar o meio ambiente, ele não usa mais canudo plástico, tenta produzir a menor quantidade de lixo possível e usar transporte público. Uma de suas inspirações é a ativista sueca Greta Thunberg, que viajou para os Estados Unidos com o objetivo de participar da reunião das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas. "A atitude dela me interessou muito. Quando o professor pediu para escrever a biografia de alguém, fiz a dela. Genial a atitude dela de parar um dia na escola para fazer um protesto pelo planeta", contou.

Em Brasília

Os manifestantes se reuniram em frente à Biblioteca Nacional à tarde. No início da noite, caminharam em direção ao Congresso Nacional. Por volta das 19h, um grupo de cerca de 300 pessoas chegou ao gramado em frente ao Congresso Nacional. Parte dos manifestantes usava camisetas verdes e agitava bandeiras da mesma cor. Cartazes e faixas diziam "Somos a natureza", "- carne + floresta" e "Não se respira dinheiro".

O público presente ouviu atentamente a falas de políticos e representantes de movimentos estudantis e ambientais. Eles criticaram as políticas direcionadas ao desenvolvimento do agronegócio em detrimento da preservação da floresta.

"Temos um modelo de consumo, da forma com que as pessoas se relacionam com a natureza, que é insustentável. Ele prevê o crescimento a todo custo e isso tem um limite, e por não levar em conta uma série de questões que têm valor, mas não valor financeiro. As novas gerações estão reparando isso", disse Raphael Sebba, porta-voz da Fundação Mais Cerrado.

A chegada ao gramado do Congresso e as falas dos organizadores encerraram o ato. Às 20h, a manifestação já havia se dispersado totalmente.

No Rio

Ativistas do meio ambiente se concentraram desde o início da tarde desta sexta-feira, 20, na Praça XV, no centro do Rio, em defesa da preservação das florestas, especialmente a Amazônia.

Carregando muitos cartazes com dizeres contra o desmatamento e pela preservação da natureza, os ambientalistas discursaram e depois saíram em caminhada pelas ruas centrais da cidade, até a Cinelândia, tradicional ponto de manifestações políticas, em frente à Câmara de Vereadores e o Theatro Municipal.

Para o ambientalista Sérgio Ricardo, defensor do meio ambiente no Rio de Janeiro, um dos fatores positivos da manifestação é a presença de muitos jovens, que acordaram para o problema. "Aqui no Rio, a região mais vulnerável é a Baixada Fluminense, onde houve a ocupação desordenada das margens de rios. E o mundo caminhando para aumento climático de 1,5 grau Celcius (°C), haverá fortes inundações das áreas litorâneas", alertou o ambientalista.

Fridays for Future

As mobilizações são inspiradas no movimento Fridays for Future (Sextas-feiras pelo Futuro), greve estudantil em favor da defesa do meio ambiente criada no ano passado por Greta Thunberg, uma jovem ativista sueca de 16 anos.

Em 2018, ela passou a protestar em frente ao parlamento de seu país contra as mudanças climáticas. E suas ações vêm conquistando o apoio de jovens de diversos países europeus.

Pelo Twitter, Greta acompanha as mobilizações mundiais realizadas nesta sexta-feira. Os eventos estão previstos para ocorrer até o dia 27.

Nas redes sociais, outra jovem ativista também chama a atenção para a urgência de ações em prol do meio ambiente. Katie Eder, de 19 anos, é diretora executiva da Future Coalition (Coligação Futura), organização norte-americana que promove mudanças sociais e ambientais. /COM AGÊNCIA BRASIL

Confira manifestações de crianças e jovens brasileiros nas redes sociais.

É isso que vocês querem para seus filhos? #GreveGlobalPeloClima #ClimateStrike

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Esta é a terceira mobilização mundial pelo clima que conta com a participação brasileira. A primeira ocorreu em 15 de março e a segunda, em 24 de maio.

Estadão
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