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Vídeo não mostra africanos escravizados, e sim congoleses presos pelo Exército

IMAGENS GRAVADAS EM MAIO CIRCULAM FORA DE CONTEXTO EM VÁRIOS PAÍSES

3 jul 2026 - 16h31
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O que estão compartilhando: vídeo que mostra homens e uma mulher andando em fila com as mãos amarradas nas costas. Eles seriam africanos escravizados por outros africanos. Outras postagens afirmam que seriam cristãos escravizados por muçulmanos ou por integrantes do Estado Islâmico.

Vídeo mostra pessoas presas pelo Exército da República Democrática do Congo, não escravizados
Vídeo mostra pessoas presas pelo Exército da República Democrática do Congo, não escravizados
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. O vídeo foi registrado no dia 13 de maio deste ano e mostra mais de 100 pessoas presas pelas Forças Armadas da República Democrática do Congo (FARDC). Segundo os militares, eles eram suspeitos de integrar grupos armados que atuam na região do Kivu do Sul. Lideranças locais afirmam que os presos na verdade estavam na região para trabalhar na mineração e na agricultura. O caso foi noticiado por pelo menos quatro veículos de imprensa locais e todos contam a mesma história. Nenhum deles fala em pessoas escravizadas.

Saiba mais: O Verifica fez uma busca reversa de imagens (aprenda a usar aqui) usando frames do vídeo e encontrou dezenas de publicações de vários países em redes sociais como X, Instagram, Facebook e Threads. Uma delas foi feita em 14 de maio deste ano na conta oficial do site Kivu Morning Post, que cobre a região Leste da República Democrática do Congo.

O vídeo é mais longo que a versão que circula em postagens enganosas. Nele, é possível ver uma aglomeração de pessoas no que parece ser uma vila. De acordo com o Kivu Morning Post, o local fica na região de Kunda, no território de Irumu, província de Ituri.

A reportagem buscou por imagens feitas no local e encontrou este vídeo de junho de 2025, que mostra construções e vegetação parecidas. Perto dali seria o endereço de uma pedreira chamada Bokela.

Uma busca por notícias de pessoas presas nessa localidade levou a publicações em outros veículos de imprensa local.

O que dizem as notícias sobre a prisão em massa?

Todas as reportagens encontradas sobre o tema foram publicadas em 14 de maio deste ano e se referem a um episódio ocorrido na véspera, dia 13. O site Congo Quotidien afirma que uma operação militar perturbou a paz em uma aldeia de Kunda, a cerca de 40 quilômetros de Bunia, no território de Irumu.

Os militares das Forças Armadas da República Democrática do Congo teriam prendido mais de 100 pessoas que tinham chegado gradualmente na região para trabalhar em mineração e na agricultura. As prisões seriam justificadas pela suspeita de que essas pessoas tenham ligações com grupos armados ditos "subversivos" que vêm fazendo ataques na região.

A região leste da República Democrática do Congo, onde as prisões ocorreram, vem sofrendo com uma crise humanitária em meio a disputas por território. O local tem diversas reservas minerais.

A Rádio Okapi acrescentou que as acusações dos militares não foram comprovadas. A rádio ouviu representantes de organizações dos direitos humanos da República Democrática do Congo que pediram o respeito à presunção de inocência.

O Le Souverain Libre publicou que os mais de 100 presos foram associados ao grupo armado Movimento M23 apenas pelo fato de serem originários do Kivu do Sul, uma região dominada pelo rebelde.

Por fim, o Kivu Morning Post apontou que a comunidade Bashi, da qual os detidos fazem parte, desmentiu as acusações das Forças Armadas. Em um comunicado, o grupo disse que esses "civis são comerciantes e trabalhadores em minas, detidos em razão de sua pertença à comunidade Bashi".

O mesmo vídeo foi checado pelas agências Congo Check, Misbar e pelo France 24.

Estadão
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