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É falso alerta para 'mega terremoto' no Brasil em setembro de 2026

AINDA NÃO EXISTE TECNOLOGIA CAPAZ DE PREVER TERREMOTOS COM DATA, HORA E MAGNITUDE EXATAS; 'FONTE' CITADA EM POSTAGEM PARA INFORMAÇÕES SOBRE DESASTRE É ÓRGÃO QUE NÃO EXISTE

29 jun 2026 - 11h21
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O que estão compartilhando: vídeo que alerta para um "mega terremoto" no Brasil, que aconteceria no dia 18 de setembro de 2026, às 3h17 da madrugada. A pessoa que narra o conteúdo mostra um mapa com detalhes do desastre, que estaria escondido na deep web. As informações seriam do "Sistema Nacional de Monitoramento e Alertas".

Ainda não existe tecnologia capaz de prever um terremoto perfeitamente, com data, hora e magnitude.
Ainda não existe tecnologia capaz de prever um terremoto perfeitamente, com data, hora e magnitude.
Foto: Reprodução/Threads / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. Ainda não existe um sistema capaz de prever perfeitamente um terremoto, com data, hora e magnitude exatas. Mesmo em países como os Estados Unidos e Japão, onde abalos sísmicos são mais frequentes que no Brasil, a tecnologia existente possibilita alertas de curto prazo.

Também não existe um órgão chamado "Sistema Nacional de Monitoramento e Alertas". A fonte nacional para previsões do tempo é o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET); para riscos geo-hidrológicos, é o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden); e para alertas em casos de desastre, é a Defesa Civil. Nenhum deles alertou sobre um terremoto no Brasil em setembro.

Saiba mais: O vídeo mente ao alertar para um "mega terremoto" de magnitude de 8,9, que seria seguido de um "tsunami devastador" com ondas de até 18 metros. O vídeo alcançou 4 mil curtidas e 15 mil compartilhamentos na rede social Threads.

A pessoa que narra o conteúdo mostra um mapa do País com uma série de informações inventadas. Entre elas, está o número de mortes estimado, as áreas de risco e a "fonte oficial" dos dados, chamada "Sistema Nacional de Monitoramento e Alertas".

Especialistas consultados pelo Verifica esclarecem que não existe um órgão oficial chamado "Sistema Nacional de Monitoramento e Alertas".

O que realmente existe é o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (SINPDEC), que articula os órgãos federais, estaduais e federais da Defesa Civil, segundo explica a chefe do Departamento de Ciências Atmosféricas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), Rachel Albrecht.

"É uma tentativa clara, no caso do vídeo, de parecer ser um órgão oficial usando termos técnicos", disse Rachel.

Os tremores de terra também costumam ser monitorados pelos Centros de Sismologia de universidades brasileiras, de acordo com o professor Allaoua Saadi, do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Outra fonte confiável para alertas de terremoto, segundo o professor, é o Serviço Geológico dos Estados Unidos da América (USGS).

No Brasil, o INMET e o Cemaden divulgam previsões do tempo e avisos meteorológicos, enquanto a Defesa Civil emite os alertas à população. Rachel enfatiza que é preciso diferenciar esses conceitos. A previsão e o aviso indicam, com maior antecedência, que há condições para um evento acontecer. Já o alerta é emitido quando o desastre está iminente, levando em conta a vulnerabilidade das áreas afetadas e o impacto na vida das pessoas.

Por que não existe 'previsão de terremoto'?

A crosta terrestre é formada por placas tectônicas, que se movem lentamente. Quando duas delas se encontram, ocorre a chamada falha geológica e o terremoto. Apesar de o movimento das placas ser lento, os terremotos acontecem muito rapidamente, o que dificulta a previsão com antecedência de um evento como esse.

O coordenador do Centro de Sismologia da USP, Marcelo Bianchi, explica que todo o conhecimento acumulado até hoje ainda não consegue prever como uma placa vai se mover, nem a extensão desta movimentação.

"Não temos um modelo físico que possa prever o comportamento das rochas neste nível de detalhe, e nem como a ruptura do terremoto irá se dar", afirmou.

Em países como os Estados Unidos e Japão, onde abalos sísmicos são mais frequentes que no Brasil, a prioridade é manter um monitoramento constante sobre as atividades das placas tectônicas, segundo Bianchi.

O especialista explica que isso é feito porque grandes terremotos podem ter como precursores abalos menores. "Se for possível detectar tais eventos menores, e eles forem reconhecidos como precursores, esses eventos poderiam avisar que existe uma maior possibilidade de ocorrer um evento maior", explicou.

Mas essa detecção de abalos menores não é a mesma coisa que uma previsão. Segundo Bianchi, esse monitoramento funciona para alertas de curto prazo e apenas para casos específicos. "Mesmo nesses casos, tem uma grande incerteza associada", afirmou.

O USGS, órgão dos Estados Unidos, calcula a probabilidade de terremotos com base no histórico da região. A partir da média de abalos que já aconteceram no passado, os cientistas estimam a chance de um novo tremor ocorrer em um determinado período de anos, assumindo que o ritmo dos desastres se mantenha constante.

Mas isso não é o mesmo que uma previsão de terremoto. Para fazer uma previsão, seria preciso indicar data, hora, localização e magnitude para o abalo, o que ainda não é possível fazer. O que o USGS faz é divulgar alertas, que chegam às pessoas com alguns segundos de antecedência.

Como lidar com postagens desse tipo: Em situação de risco, a orientação é acompanhar os canais oficias da Defesa Civil, do INMET e do Cemaden. Órgãos estaduais e municipais, como as prefeituras, também são fontes confiáveis para atualizar a população. A recomendação é sempre verificar informações nesses canais oficiais.

Estadão
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