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Postagem infla valor de impostos cobrados sobre carro da Volkswagen

POLO TRACK FOI INSERIDO NO PROGRAMA CARRO SUSTENTÁVEL, QUE ZERA COBRANÇA DO IPI; TRIBUTAÇÃO TOTAL EQUIVALE A 21%, E NÃO A 40%, DO PREÇO SUGERIDO DO VEÍCULO

3 jul 2026 - 14h28
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O que estão compartilhando: que um carro Polo Track, da Volkswagen, custa R$ 95.790, dos quais R$ 38.316, ou 40%, seriam referentes a impostos. O valor do carro sem os tributos seria de R$ 57.474. "Você compra um carro para si e paga outro para o governo", diz a postagem.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. A Volkswagen informou que o preço sugerido do Polo Track em julho é de R$ 96.690, com incidência de 21% de impostos. Pelo valor sugerido, são recolhidos R$ 20.687, e não R$ 38.316, em tributos.

O autor da postagem foi procurado, mas não respondeu.

Saiba mais: O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) é diferente para cada veículo, de acordo com a motorização instalada no carro. No caso do Polo Track, a Volkswagen explica que esse tributo é zerado porque o modelo foi inserido no programa Carro Sustentável, do governo federal.

Essa iniciativa foi implementada em julho do ano passado para automóveis fabricados no Brasil e com alto desempenho energético-ambiental.

O foco está em carros compactos que atendam a critérios relacionados a emissões de carbono, materiais recicláveis e segurança. Além da Volkswagen, Fiat, Hyundai e Renault credenciaram veículos no programa.

Outros carros continuam pagando o IPI, mas com novas regras de cálculo para quem se enquadra no IPI Verde. A alíquota base é de 6,3% para carros de passeio e 3,9% para veículos comerciais leves. As taxas podem ser ajustadas para mais ou para menos de acordo com critérios como tecnologia embarcada, segurança veicular, potência do motor e eficiência energética.

A redução do IPI é parte do Programa Nacional de Mobilidade Verde e Inovação (Mover). A estimativa do governo é diminuir o tributo de 60% dos veículos comercializados no Brasil.

Carga tributária depende de onde o veículo é vendido

Para criticar a alta carga tributária brasileira, a postagem analisada leva a crer que todo veículo zero comercializado no Brasil recolhe metade do seu valor em impostos. Mas isso não é verdadeiro.

Conforme o especialista em Direito Tributário Carlos Eduardo Navarro, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diferentes tributos incidem sobre a venda de veículos.

Além do IPI, são recolhidos o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Ambos são cobrados na indústria e não variam. Outro tributo recolhido, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tem alíquota diferente em cada Estado.

Além de variar pela região, o ICMS tem uma particularidade em relação aos automóveis. Navarro explica que a cobrança depende de onde a montadora está instalada, de onde o veículo é importado ou de onde fica a concessionária que fez a venda.

O valor vai mudando porque pode haver diferentes incentivos fiscais oferecidos pelos governos estaduais. "Tudo isso faz com que o preço final possa ser muito diferente", explicou Navarro.

Para Navarro, a crítica feita pela postagem à quantidade de impostos pagos no Brasil não é inválida. O professor destaca que a tributação brasileira é maior que a média mundial. Além disso, a cobrança de impostos é disforme, uma vez que alguns produtos e serviços são muito tributados, enquanto outros são pouco.

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Dados de associação valiam até julho do ano passado

A postagem analisada afirma que cerca de 44% do valor pago pelo consumidor corresponderia a tributos, percentual que poderia ultrapassar 50% em algumas versões. A fonte citada é a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Mas o post se baseia em valores desatualizados.

A associação confirmou ter publicado um estudo com esses porcentuais, mas afirmou que os dados procediam até julho de 2025. Então, entrou em vigor o programa Carro Sustentável, que mudou a tributação. Outra mudança foi com a entrada em vigor do IPI Verde, em novembro.

Segundo a Anfavea, a alteração fez com que a carga tributária incidente sobre automóveis passasse a girar entre 30% e 50% do preço final, dependendo da motorização do automóvel.

A associação destacou uma preocupação pela falta de clareza sobre como ficarão as novas alíquotas a partir de 2027, com a entrada em vigor da Reforma Tributária e do Imposto Seletivo.

Como explicado anteriormente pelo Verifica, a reforma unifica cinco impostos que incidem sobre produtos e serviços: os federais IPI, PIS e Cofins; o estadual ICMS; e o municipal Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), que não é cobrado na venda de carros.

Os cinco foram substituídos pelo Imposto sobre Valor Agregado (IVA) Dual, que soma a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). O primeiro é federal e o segundo, estadual e municipal.

Conforme a Receita Federal, a reforma instituiu um teto de 26,5% para a alíquota-padrão do IVA. Após alterações na Câmara dos Deputados e no Senado, a alíquota poderá chegar a 28%.

O Imposto Seletivo, por sua vez, ainda não tem alíquota definida. O professor Navarro concorda com a Anfavea sobre essa indefinição ser uma preocupação no momento. "É muito triste, em julho de 2026, a gente ainda não ter uma definição sobre o imposto que vai começar em 1º de janeiro", disse.

Estadão
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