Caminhões-pipa reforçam abastecimento de água na Cadeia Pública de Porto Alegre
Sindicato aponta escassez e custos superiores a R$ 1 milhão por mês; governo afirma que unidade nunca ficou sem água desde a reabertura
A Cadeia Pública de Porto Alegre (CPPA) está sendo abastecida diariamente por caminhões-pipa, segundo o Sindicato da Polícia Penal (Sindppen), que denuncia escassez de água na unidade prisional. Já a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) afirma que o antigo Presídio Central nunca ficou sem abastecimento desde sua reabertura, em setembro do ano passado, e que os veículos atuam apenas como reforço ao sistema hídrico.
De acordo com o Sindppen, entre 20 e 30 caminhões atravessam diariamente os portões da estrutura, acessando a CPPA pela vizinha Penitenciária Estadual de Porto Alegre (Pepoa). A entidade estima que o custo mensal da operação supere R$ 1 milhão.
Para o presidente do sindicato, Cláudio Dessbessell, a necessidade de abastecimento complementar revela falhas de planejamento, sendo consequência da falta de planejamento. Dessbessell diz que houve melhorias na CPPA, mas questões básicas foram negligenciadas, como a capacidade de abastecimento não ser devidamente avaliada, além da falta de experiência aos gestores que, segundo ele, "não entendem de sistema prisional e ocupam cargos por questões políticas", afirma.
Dessbessell também aponta que a escassez de água se soma ao calor excessivo no interior da unidade, em razão da cobertura com telhas de zinco. Segundo ele, o material eleva a temperatura em ao menos nove postos de trabalho. Além da escassez de água, os servidores também sofrem com superaquecimento em postos de vigilância, que se transformam em verdadeiros fornos durante períodos de altas temperaturas. Há riscos de desidratação, doenças respiratórias e problemas de pele, entre outros, impactando a saúde física e mental de policiais penais e de apenados.
Em nota, a SSPS informou que o abastecimento da CPPA está apenas sendo complementado por caminhões-pipa devido à alta demanda e que a rede interna da unidade está devidamente conectada à concessionária pública. A pasta acrescenta que uma empresa contratada realiza a reestruturação de um reservatório inferior extra para reduzir a necessidade de caminhões e reforçar o sistema. A previsão é que a obra seja concluída até o fim de fevereiro.
A secretaria reforça ainda que a cadeia está ligada à rede pública desde a reabertura e que, desde então, nunca houve interrupção total no fornecimento de água.