Macron vai à Índia debater IA, de olho na ampliação do comércio bilateral com o país
O presidente francês, Emmanuel Macron, destacou nesta terça-feira (17), no início de uma visita oficial de três dias à Índia, a "parceria de confiança" entre a França e a grande potência asiática, que ele espera fortalecer ainda mais nas áreas de defesa e comércio, em nome de um "multilateralismo eficaz".
O presidente francês deve oficializar, nos próximos dias, um megacontrato para a compra de 114 aviões Rafale. Ele participa, na quinta-feira, em Nova Délhi, da cúpula mundial sobre inteligência artificial.
"A relação franco-indiana está em uma fase de aceleração notável, em resposta às mudanças na ordem internacional", afirmou Emmanuel Macron ao lado do primeiro-ministro indiano Narendra Modi, após uma reunião em Mumbai.
"A parceria entre a França e a Índia é estável, previsível e voltada para o bem de nossos povos, e queremos torná-la ainda mais eficiente, especialmente em pesquisa, intercâmbio de estudantes e comércio", acrescentou Macron, que convidou o líder indiano para a cúpula do G7, em junho, que acontece em Evian, cidade no leste da França, na fronteira com a Suíça.
O chefe de Estado, que realiza sua quarta visita ao país, está acompanhado de uma delegação de cerca de 100 empresários, incluindo dirigentes da EDF, Schneider Electric, CMA-CGM, Eutelsat, Safran, Naval Group e Dassault Aviation.
Aviões Rafale
Entre os principais temas da viagem de Emmanuel Macron à Índia está um contrato considerado "histórico" para a compra, pelo país asiático, de 114 aviões Rafale.
Segundo a imprensa indiana, o Conselho de Aquisições de Defesa aprovou na semana passada o pedido, avaliado em 3,25 trilhões de rúpias (€ 30,2 bilhões, o equivalente a R$ 187 bilhões).
Esse aval representa "um marco muito importante", afirmou o Palácio do Eliseu, que se diz "otimista" quanto às negociações entre a Índia e a Dassault Aviation.
Em abril do ano passado, Nova Délhi já havia autorizado a compra de 26 Rafale navais para equipar os dois porta-aviões da Marinha indiana, além dos 36 Rafale adquiridos pelo país nos anos 2010.
Cúpula sobre IA
Diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos e pela China, a França busca diversificar seus mercados de exportação, e a Índia, o país mais populoso do mundo, com 1,4 bilhão de habitantes, é vista como um destino estratégico.
"O comércio bilateral com a Índia aumentou nos últimos anos e hoje chega a € 15 bilhões. Mas acreditamos que ainda há um potencial não explorado e que esses intercâmbios podem crescer", destaca a presidência francesa.
Além da área de defesa, são esperados novos acordos em inteligência artificial, já que a Índia sedia desde segunda-feira a cúpula "AI Impact", que reúne chefes de Estado, de governo e líderes das grandes empresas de tecnologia.
Emmanuel Macron fará na quinta-feira (19) o discurso de abertura da sessão dedicada aos chefes de Estado e de governo.
Paris, que recebeu essa mesma cúpula no ano passado, ocasião em que Narendra Modi foi convidado, defende uma IA sustentável e voltada ao interesse público. A cúpula de Nova Délhi será "muito alinhada" com a visão defendida pela França, segundo o Palácio do Eliseu.
Com AFP