Itália participará como 'observadora' em Conselho de Paz de Trump
Chanceler afirmou que foi 'apropriado' aceitar convite dos EUA
O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, confirmou nesta terça-feira (17) que o país participará como "observador" do controverso Conselho de Paz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltado para a Faixa de Gaza.
O chanceler avaliou que o governo de Giorgia Meloni "considerou apropriado" aceitar o convite da administração americana para participar da primeira cúpula do órgão idealizado pelo mandatário republicano.
"A ausência da Itália em uma discussão sobre a paz no Mediterrâneo seria não apenas politicamente incompreensível, mas também contrária ao espírito do Artigo 11 de nossa Constituição, que estabelece a rejeição da guerra como meio de resolução de conflitos", declarou Tajani.
O político acrescentou que a não participação da Itália no encontro "significaria negar o papel de liderança" exercido por Roma "no cessar-fogo desde o início da crise, sempre com o objetivo de alcançar dois Estados vivendo juntos em paz e segurança".
"Nosso compromisso é concreto e tende a se fortalecer. Ele decorre do diálogo constante com Israel, a Autoridade Palestina e todos os principais parceiros da região, com os quais mantemos laços estreitos e contínuos nos últimos meses", comentou.
Tajani também destacou que o governo italiano "condenou qualquer sugestão de anexação israelense da Cisjordânia" e criticou os recorrentes ataques de "colonos extremistas".
O Conselho de Paz, que se reunirá pela primeira vez na próxima quinta-feira (19), tem como objetivo inicial monitorar a governança e a reconstrução da Faixa de Gaza. No entanto, segundo a Casa Branca, o órgão também poderá se estender a outros locais de conflito, o que levantou preocupações de que Trump estaria tentando criar uma espécie de ONU paralela.
O magnata republicano será presidente vitalício do colegiado, com poder de veto. .