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América Latina

Morre aos 84 anos pastor Jesse Jackson, ícone da luta pelos direitos civis nos EUA

O pastor norte-americano Jesse Jackson, importante defensor dos direitos dos afro-americanos e aliado de Martin Luther King, morreu aos 84 anos, informou sua família em um comunicado divulgado nesta terça-feira (17). "Seu compromisso inabalável com a justiça, a igualdade e os direitos humanos ajudou a moldar um movimento global pela liberdade e pela dignidade", acrescentou a família.

17 fev 2026 - 11h53
(atualizado às 11h54)
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O pastor norte-americano Jesse Jackson, importante defensor dos direitos dos afro-americanos, morreu aos 84 anos, informou sua família em um comunicado divulgado nesta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026.
O pastor norte-americano Jesse Jackson, importante defensor dos direitos dos afro-americanos, morreu aos 84 anos, informou sua família em um comunicado divulgado nesta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026.
Foto: REUTERS - Jeff Zelevansky / RFI

Jesse Jackson morreu "em paz, cercado por seus familiares", depois de uma longa batalha contra a doença de Parkinson, anunciou ainda sua família no Instagram.

"Incansável artesão da mudança, ele deu voz aos que não tinham voz [...] deixando uma marca indelével na história", afirmou o comunicado.

Ele nasceu quando os Estados Unidos ainda eram marcados pela segregação racial e, durante sua vida, participou de episódios decisivos na luta pela igualdade de direitos no país.

O pastor estava em Memphis com Martin Luther King em 1968, quando o líder do movimento pelos direitos civis foi assassinado. Também estava entre a multidão que comemorava a vitória de Barack Obama em 2008. Em 2021, assistiu ao lado da família de George Floyd o veredito histórico que condenou o policial branco Derek Chauvin pelo assassinato do afro-americano.

Jackson ganhou notoriedade nos anos 1960 ao trabalhar sob a liderança de Martin Luther King na Southern Christian Leadership Conference, organização que defendia os direitos civis com base na não-violência. Depois, fundou seu próprio movimento, a Operation Push, hoje rebatizada Rainbow Push. A organização defende os direitos das minorias, incluindo o direito ao voto, além de prestar apoio financeiro a famílias negras em situação de vulnerabilidade e ajudar a custear os estudos de milhares de crianças.

Duas campanhas presidenciais

Muito antes de Barack Obama, Jesse Jackson disputou as primárias democratas para as eleições presidenciais de 1984 e 1988. Foi o primeiro afro-americano a alcançar uma votação expressiva, obtendo 20% e 30% dos votos, respectivamente. "Meu eleitorado é formado pelos desesperados, os deserdados, os rejeitados, os desprezados", declarou o pastor batista na convenção democrata de 1984.

Com essas duas campanhas, ampliou sua influência nacional e expandiu a agenda política do Partido Democrata para incluir mais diretamente as lutas dos afro-americanos.

Em 1988, marcou o debate com um discurso sobre o "ponto comum", conclamando os americanos à união. "A ala esquerda, a ala direita [...] são necessárias duas asas para voar." Criticando a política de Ronald Reagan, Jackson denunciou as desigualdades de um sistema que descreveu como um "Robin Hood às avessas", que favorecia os mais ricos e abandonava os mais pobres.

Em 1992, pronunciou um discurso emocionante na Convenção Nacional Democrata para apoiar a candidatura de Bill Clinton. Ele convocou o partido a enfrentar os males sociais dos Estados Unidos.

"Nem todos nascem abastados, com uma colher de prata na boca e sapatinhos de cetim nos pés. Alguns de nós nascem desamparados, sem esperança, sem chance alguma, abandonados, negligenciados, sem teto, órfãos com dentes estragados, vesgos sem ilusões, feridos além do que se pode medir. Mas alguém precisa reconhecer sua grandeza. Não podemos abandoná-los, mas devemos ira até eles. Agora! Amando-os, cuidando deles. Democratas, é esse o caminho. Venceremos. Merecemos vencer. Ergam-se. Não desistam!", afirmou.

O discurso foi concluído com o slogan: "Mantenham a esperança viva!". A convenção terminaria com a adoção de uma plataforma que incluía a promessa de ampliar a cobertura de saúde.

Sua carreira também foi marcada por polêmicas, como o uso de um termo antissemita para se referir a Nova York em 1984, ou seu apoio a Michael Jackson durante o julgamento do músico por abuso sexual de menor em 2005.

Um mediador internacional

O pastor também atuou como mediador e enviado especial em diversos conflitos internacionais importantes. Em 1983, na Síria, negociou com sucesso a libertação de um piloto da Marinha dos EUA detido no país. Em 1990, no Iraque, pouco antes da Guerra do Golfo, pediu diretamente a Saddam Hussein a libertação de dezenas de reféns americanos.

A partir de 1993, atuou como emissário do presidente Bill Clinton para assuntos africanos, visitando Quênia, Zâmbia, Libéria, Guiné, Serra Leoa, Gana e Nigéria, promovendo o processo democrático, o diálogo e a reconciliação — pilares essenciais para a paz e o desenvolvimento. Em 1999, após se reunir com o presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, contribuiu para a libertação de três prisioneiros de guerra americanos.

Ferrenho opositor do apartheid na África do Sul, esteve presente no centenário do Congresso Nacional Africano (ANC) em 2012. "Podemos nos orgulhar do ANC. Mas há desafios. Um deles é que o apartheid não acabou. Eliminamos o apartheid humilhante baseado na cor da pele, mas não o das terras, das minas, dos bancos, das fábricas, das infraestruturas. Há liberdade na África do Sul, mas não há igualdade. Esse será o próximo desafio, e estou certo de que a África do Sul será capaz de enfrentá-lo", declarou.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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