UE investigará Shein por venda de produtos ilegais e design viciante
Plataforma informou que leva a sério suas obrigações no continente europeu
A União Europeia iniciou uma investigação contra a varejista online chinesa Shein por possíveis violações relacionadas à venda de produtos ilegais, ao design viciante da plataforma e à falta de transparência de seus sistemas de recomendação.
A ação da Comissão Europeia foi baseada em uma norma da rigorosa Lei de Serviços Digitais (DSA) do bloco, que exige que as plataformas online combatam conteúdos ilegais. Os investigadores vão se concentrar nos sistemas implementados pela gigante asiática para limitar a venda de itens que possam configurar, por exemplo, pornografia infantil.
As autoridades europeias também analisarão as estratégias de gamificação do site, como a atribuição de pontos e prêmios para incentivar o engajamento contínuo dos usuários. A UE ainda averiguará se a Shein divulga os parâmetros utilizados em seus sistemas de recomendação para sugerir conteúdos e produtos aos consumidores.
"Produtos ilegais são proibidos na UE, tanto nas prateleiras das lojas quanto nos mercados online. A Lei de Serviços Digitais garante a segurança dos consumidores, protege seu bem-estar e os informa sobre os algoritmos com os quais interagem. Vamos avaliar se a Shein cumpre essas regras e suas responsabilidades", afirmou Henna Virkkunen, vice-presidente da Comissão para a Soberania Tecnológica.
A abertura da investigação ocorreu após uma fase preliminar durante a qual a Comissão Europeia enviou três pedidos distintos de informação. O início do processo formal concede ao Executivo da UE o poder de adotar medidas provisórias para bloquear imediatamente possíveis práticas prejudiciais.
Em comunicado, a Shein informou que leva muito a sério suas obrigações no continente europeu e garantiu que sempre cooperou de forma transparente com o bloco.
"Nos últimos meses, reforçamos ainda mais nosso compromisso com a conformidade, investindo significativamente em novas medidas para dar suporte à DSA. Essas medidas incluem avaliações de risco estruturadas do sistema e medidas relacionadas de prevenção e contenção, proteções adicionais para usuários mais jovens e trabalho contínuo no design de nossos serviços para garantir uma experiência online cada vez mais segura e confiável", informou a plataforma.
Segundo fontes da Comissão Europeia, a investigação sobre a Shein "não impactará" os processos instaurados na França relativos à venda de armas ilegais e bonecas sexuais com aparência infantil. .