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Política

RJ: sessão é cancelada pela 4ª vez por falta de vereadores

Parlamentares não apareceram pela quarta sessão seguida na Câmara de Vereadores do Rio, ocupada por manifestantes

20 ago 2013 - 16h54
(atualizado às 16h59)
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<b>16 de agosto - </b>Entre lustres e móveis históricos do Palácio Pedro Ernesto, 11 manifestantes completaram nesta sexta-feira uma semana de ocupação na Câmara
16 de agosto - Entre lustres e móveis históricos do Palácio Pedro Ernesto, 11 manifestantes completaram nesta sexta-feira uma semana de ocupação na Câmara
Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

Com menos de sete parlamentares presentes em plenário, a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro suspendeu a quarta sessão consecutiva nesta terça-feira. O prédio está ocupado há mais de uma semana por manifestantes, mas no horário da sessão, às 14h, o plenário foi liberado. Os vereadores, porém, não apareceram para trabalhar.

As sessões são realizadas de terça a quinta e, de acordo com o regimento interno da Casa, os acessos para as galerias do plenário devem ser liberados ao público durante as sessões. Os manifestantes não revelam nomes nem fornecem informações pessoais como endereço, ocupação e idade para não "individualizarem o movimento" e pedem para serem chamados de Amarildo, em referência ao ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido desde o dia 14 de julho após ter sido levado por policiais militares para averiguação na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha.

Eles são mantidos à base de doações que são entregues aos que estão fora da Casa, grupo maior que está desde a primeira sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Ônibus, acampado nas escadarias e na Cinelândia. No grupo dentro da Câmara, há um voluntário da Mídia Ninja.

"Nossa ideia é não permitir nenhuma mitificação ou glorificação dos nossos nomes. Algumas pessoas passam lá fora e gritam que somos heróis. É isso que não queremos. Nem de longe somos isso", explicou um jovem manifestante, que se identificou como Amarildo de Santa Cruz. O grupo pede que a comissão seja reformulada, com a saída de quatro vereadores que a integram, mas foram contra sua criação. São eles: Chiquinho Brazão (PMDB), o presidente; Jorginho da SOS (PMDB); Renato Moura (PTC) e Professor Uoston (PMDB), o relator.

Outro pedido dos manifestantes é que o vereador Eliomar Coelho (Psol), proponente da CPI, seja o presidente. Eles reivindicam ainda que todas as reuniões sejam amplamente divulgadas e feitas em locais com participação popular irrestrita, que o regimento da Câmara seja mudado para permitir manifestações dentro da Casa e que uma possível desocupação ocorra respeitando a integridade física dos participantes. "O que a gente garante é que se todas as pautas forem cumpridas, a gente sai. Mas estamos abertos a negociações", disse o jovem.

A página do movimento no Facebook, a "Ocupa Câmara Rio", tem mais de 3,2 mil seguidores, e é usada para divulgar as reivindicações e pedir doações de comida, cobertor e colchonete, entre outros itens. De acordo com outra manifestante, que prefere ser chamada de Amarildo e estava do lado de fora da Câmara, as doações chegam em dinheiro, refeições e lanches. "Muita gente que trabalha aqui no centro vem para ajudar. Quem vai para casa todos os dias também traz bolsas e evita comer aqui, para economizar".

Do lado de fora da Câmara, 15 barracas, duas tendas e três lonas abrigam os manifestantes. Cartazes com diversas bandeiras fazem um mosaico de reivindicações - contra a corrupção, pedidos de renúncia do governador Sérgio Cabral, questionamentos sobre onde está Amarildo, além de pautas feministas, rejeições aos leilões de petróleo, críticas às remoções no Jardim Botânico e defesa dos direitos dos taxistas, camelôs e animais.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Terra
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