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Política

Ministro de Bolsonaro que tentou obter passaporte português para Mauro Cid deixa o PL

Gilson Machado anunciou desfiliação do partido após perder apoio da direção estadual em Pernambuco e disse que seguirá na disputa pelo Senado; ex-ministro diz continuar sendo o nome defendido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro

21 jan 2026 - 21h54
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O ex-ministro do Turismo do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Gilson Machado, anunciou nesta quarta-feira, 21, sua desfiliação do Partido Liberal (PL) e afirmou que seguirá na disputa por uma vaga no Senado por Pernambuco, embora ainda não tenha informado para qual partido pretende se filiar. Em carta divulgada nas redes sociais, ele disse que deixa a sigla por não ter o apoio da direção estadual.

Como mostrou o Estadão, o PL vivia uma disputa interna entre o presidente estadual da legenda, Anderson Ferreira, e Gilson Machado para definir quem seria o candidato ao Senado. Com a saída de Machado, a sigla deverá confirmar o nome do dirigente partidário em Pernambuco.

Ex-ministro diz continuar sendo o nome defendido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para a disputa ao Senado por Pernambuco.
Ex-ministro diz continuar sendo o nome defendido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para a disputa ao Senado por Pernambuco.
Foto: @gilsonmachadoneto via Instagram / Estadão

"Continuo sendo o nome defendido pelo presidente Jair Bolsonaro para a disputa ao Senado por Pernambuco. Porém, não sou o nome escolhido pela direção estadual do partido para essa missão", escreveu.

Machado afirmou ainda que não conseguiu comunicar pessoalmente sua decisão a Bolsonaro por estar com restrições de deslocamento e impedido de deixar Recife (PE). Segundo ele, no entanto, o movimento foi compartilhado com o senador Flávio Bolsonaro e com Renato Bolsonaro, filho e irmão do ex-presidente.

A Polícia Federal (PF) prendeu Gilson Machado em junho do ano passado, no Recife. De acordo com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR), ele teria tentado obter um passaporte português para o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, deixar o Brasil. Na ocasião, Gilson negou as acusações.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a soltura do ex-ministro no mesmo dia. Para Moraes, "com as diligências realizadas pela PF, a prisão preventiva não se faz mais necessária, podendo ser substituída por medidas cautelares alternativas", como o cancelamento do passaporte, a proibição de deixar o País e de se comunicar com outros investigados "por qualquer meio".

Na carta, Machado afirma que "troca de partido, mas não de lado" e diz que seguirá alinhado ao bolsonarismo. "Sigo fiel aos meus ideais e valores. Sempre leal ao presidente Jair Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro", declarou.

Gilson Machado é um aliado próximo de Bolsonaro, tendo se aproximado do ex-presidente ainda em 2018. Foi secretário do Ministério do Meio Ambiente durante a gestão do ex-presidente e, em maio de 2019, foi indicado para a presidência da Embratur, estando à frente da estatal por mais de um ano.

Machado ganhou destaque por aparecer tocando sanfona em lives de Bolsonaro durante a pandemia de covid-19. O ex-ministro é sanfoneiro, já gravou com nomes como Zé Ramalho e atua na banda Brucelose até hoje. Ele já deu aulas do instrumento para Bolsonaro. Em dezembro de 2020, foi remanejado para o Ministério do Turismo.

Estadão
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