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Presidente da Câmara do Rio se reúne com manifestantes

14 ago 2013
19h32
atualizado às 19h36
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O presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Jorge Felippe, se reuniu com os dez manifestantes que desde sexta-feira ocupam o plenário da Casa. Segundo o presidente, os manifestantes pediram uma nova eleição para a composição da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Ônibus e o cancelamento da reunião da CPI marcada para amanhã. A comissão foi criada para analisar os contratos entre as empresas e a prefeitura do Rio. "Eu esclareci que, como presidente da instituição, cumpre-me o dever de respeitar o regimento, a lei e a Constituição", disse.

<p>Manifestantes também ocupam a frente da Câmara Municipal. Eles estão acampados em frente ao prédio e demonstram apoio ao grupo que está ocupando a Casa</p>
Manifestantes também ocupam a frente da Câmara Municipal. Eles estão acampados em frente ao prédio e demonstram apoio ao grupo que está ocupando a Casa
Foto: Marcello Dias / Futura Press

Os manifestantes questionam a legitimidade da formação da CPI. Eles defendem que a eleição para a presidência da comissão e da relatoria, não seguiu o regimento interno. Esse também é o entendimento de parlamentares da oposição que querem que quatro integrantes renunciem e se afastem da comissão.

O vereador Eliomar Coelho (Psol) diz que ele, como autor do requerimento de criação da CPI deveria ser o presidente da comissão, pois essa é a tradição da Casa. Mas, de acordo com o vereador Jorge Felippe, a instalação da CPI foi legal e a primeira reunião ocorrerá amanhã. "A comissão tem que funcionar. Tem que ir praticando os atos e, se for reconhecida alguma ilegalidade, anula-se todos os atos praticados. Mas ela tem que funcionar. O Poder Legislativo tem que exercer o seu papel e vai exercer", disse Felippe.

O presidente disse que a única dúvida é sobre o local onde a reunião vai ocorrer. Em princípio, ela está marcada para a sala do cerimonial, onde o espaço é pequeno. O vereador disse que é possível que seja transferida para o plenário da Câmara.

Os vereadores de oposição vão definir ainda hoje o que farão em relação à CPI. Eles analisam a possibilidade de entrar com uma ação na Justiça para impedir o trabalho da comissão e fazer uma CPI paralela. "Temos, como vereadores, a prerrogativa de solicitar documento a qualquer órgão" explicou o vereador Eliomar Coelho.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Agência Brasil Agência Brasil

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