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Política

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Empresário confirma à PF que intermediou contratação de influenciadores para defender Vorcaro

Thiago Miranda, sócio de agência de comunicação, deu detalhes sobre os serviços em depoimento aos investigadores e negou ter ordenado ataques ao BC; advogado diz que cliente adotou "postura colaborativa"

12 mai 2026 - 16h50
(atualizado às 17h06)
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BRASÍLIA - O empresário Thiago Miranda, sócio de uma agência de comunicação, disse à Polícia Federal que prestou serviços de "gestão de crise" ao banqueiro Daniel Vorcaro após sua primeira prisão na Operação Compliance Zero e confirmou ter intermediado a contratação de influenciadores para fazer publicações em defesa do Banco Master.

Fachada da sede do Banco Master no bairro do Itaim Bibi, zona sul de São Paulo
Fachada da sede do Banco Master no bairro do Itaim Bibi, zona sul de São Paulo
Foto: Taba Benedicto/ Estadão / Estadão

Ele prestou depoimento à PF nesta terça-feira, 12, no inquérito que apura suspeitas de obstrução de Justiça por causa da ação de influenciadores, com ataques a autoridades do Banco Central e tentativa de criar um ambiente na opinião pública para influenciar o Tribunal de Contas da União (TCU) a reverter a liquidação do Master, decretada pelo BC em novembro. Essa atuação foi um dos argumentos para a Polícia Federal ter solicitado a segunda prisão do banqueiro, efetivada no início de março.

No depoimento, Miranda negou ter determinado ataques a autoridades do Banco Central, mas admitiu ter elaborado um plano de comunicação para Vorcaro para defender sua reputação e a do Banco Master.

O empresário também apresentou documentos sobre essas contratações. Trechos desses documentos divulgados pelo jornal Folha de S.Paulo mostram que influenciadores contratados por Miranda fizeram publicações contra o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, Renato Gomes, em troca de pagamentos de R$ 3,5 milhões.

Na apresentação dos serviços a Vorcaro, a agência Mithi, de Thiago Miranda, propôs um "marketing de guerrilha" para combater a crise de reputação do Master. O plano era apresentar o banqueiro como um "arquétipo do lutador". "Diretriz: 'Ninguém torce pelo banqueiro. Mas todos respeitam um homem que está no chão e tenta levantar. Vamos trabalhar a jornada do herói falível'", diz trecho do plano de comunicação.

Em nota, a defesa de Thiago Miranda afirmou que ele adotou "postura colaborativa, transparente e respeitosa, com o objetivo de contribuir para o integral esclarecimento dos fatos".

"É necessário distinguir, com responsabilidade, o exercício regular de atividade profissional lícita — voltada à orientação comunicacional e à preservação reputacional de pessoas e organizações — de qualquer interpretação que procure atribuir a essa atuação finalidade ilícita, ofensiva ou institucionalmente desleal. Logo, ao contrário de versões divulgadas, em nenhum momento a atuação profissional de Thiago Miranda e sua agência teve por finalidade atacar instituições públicas, autoridades, agentes públicos ou órgãos de Estado. Sua atividade sempre esteve circunscrita ao campo técnico da comunicação reputacional, da estratégia institucional e da gestão de crise, áreas legítimas de atuação profissional, especialmente em contextos de elevada exposição pública", afirmou o advogado Rafael Martins.

Estadão
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