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Política

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Dino diz que STF respeita jurisdições de outros países, às vezes sem reciprocidade

Declaração ocorre dias depois de negação da extradição de Carla Zambelli pela última instância da Justiça italiana

17 jun 2026 - 10h56
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou na terça-feira, 16, que decisões de cortes estrangeiras nem sempre observam o princípio da reciprocidade adotado pela Justiça brasileira. A declaração foi feita poucos dias depois de a última instância da Justiça da Itália rejeitar a extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP).

Dino abordou o assunto durante o julgamento que resultou na condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por coação no curso do processo. Ao comentar a relação do Supremo com tribunais de outros países, Dino disse que a Corte tem uma tradição de atuação "profundamente deferente em relação às jurisdições de outros países", e que "às vezes o mesmo não se verifica" em relação às decisões brasileiras.

"Esse Supremo, com muita velocidade e presteza, examina pedidos de prisão preventiva, de extradição, e nunca nos colocamos na posição de juízes dos outros juízes dos outros países. Pelo contrário, temos uma atitude compreensiva quanto à multiplicidade de sistemas jurídicos existentes no mundo, salvo os casos extremos, em que prerrogativas básicas, não são atendidas", declarou o ministro.

"Essa tradição brasileira está assentada e, no que depender de mim, e creio que da corte inteira, continuará independentemente do descumprimento de um princípio basilar das relações internacionais, qual seja o princípio da reciprocidade", afirmou, sem mencionar diretamente o caso de Carla Zambelli.

Na última sexta-feira, 12, a Justiça italiana negou a extradição da ex-deputada por processo em que ela foi condenada pelo STF pela invasão dos sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e inserção de mandato falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

A Corte de Cassação do País apontou suposta parcialidade de Moraes no julgamento de Zambelli para anular a sentença de extradição dela da Europa para o Brasil. A decisão diz que o ministro atuou sob "dupla veste", como julgador e como pessoa afetada pelo crime imputado a Zambelli.

Durante o julgamento de Eduardo Bolsonaro, Dino também afirmou que o Supremo brasileiro não adota postura "etnocêntrica" ou "prepotente" em relação aos sistemas judiciais de outros países. Recentemente, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, também tem criticado o que chama de "pressões externas" direcionadas à Corte.

Por decisão unânime da Primeira Turma, Eduardo Bolsonaro foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo.

Segundo o entendimento dos ministros, ele atuou nos Estados Unidos, onde mora, para pressionar o Judiciário brasileiro e interferir no julgamento das investigações sobre a trama golpista no qual seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.

A decisão também torna o ex-parlamentar inelegível por 8 anos, nos termos da Lei da Ficha Limpa; decreta perda do cargo de escrivão da Polícia Federal, do qual ele está afastado; e do mandato, embora ele já tenha sido cassado pela Câmara em dezembro de 2025.

A defesa de Eduardo, realizada pela Defensoria Pública da União após ele não apontar advogado particular, ainda pode recorrer.

Como mostrou o Estadão, a negativa da Justiça italiana para a extradição de Zambelli tem potencial de repercutir em outros processos conduzidos e julgados por Moraes. É o caso de Eduardo e do blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo. A decisão pode servir de base para questionamentos de investigados no exterior e reforçar argumentos de condenados na trama golpista.

Estadão
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