Polícia do Rio indicia 20 por ataque ao Morro dos Macacos
A Polícia Civil do Rio de Janeiro indiciou, nesta segunda-feira, 20 pessoas responsáveis por promover o ataque ao Morro dos Macacos, em Vila Isabel, em outubro de 2009. Na ocasião, 12 pessoas morreram. Os acusados, de acordo com o delegado responsável pelo caso, Carlos Henrique Machado, são os principais nomes do tráfico de entorpecentes de favelas como Mandela, Manguinhos, Jacarezinho, São João, Alemão e Penha.
Entre os indiciados estão Ilan Nogueira Sales, Marcelo da Silva Soares e Fabiano Atanásio da Silva, o FB. Todos são acusados por associação para o tráfico, formação de quadrilha e homicídio. De acordo com o delegado, provas da participação de pelo menos estas 20 pessoas estão em poder da polícia.
No dia 17 de outubro de 2009, traficantes do Morro de São João invadiram o Morro dos Macacos para tentar tomar os pontos de venda de drogas da comunidade. Houve intenso tiroteio durante toda a madrugada. Moradores ficaram apavorados com a guerra. A Polícia Militar estava no entorno da favela, em Vila Isabel, zona norte do Rio.
Pela manhã, a PM interveio e foi para cima do confronto. Os criminosos atiraram contra um helicóptero da Polícia Militar e conseguiram derrubá-lo. Três militares morreram na queda da aeronave. O piloto, considerado um herói, conseguiu escapar. No Jacarezinho e na Mangueira, traficantes atearam fogo em oito ônibus. De acordo com o balanço da Polícia Militar, 36 pessoas morreram em eventos relacionados à guerra do tráfico no Morro dos Macacos naquele final de semana.
No fim de outubro, a PM realizou uma ação chamada "O Grande Cerco", com o objetivo de patrulhar as comunidades para que fossem evitados confrontos como os do dia 17 daquele mês.
Na ocasião, os jovens Marcelo da Costa Ferreira Gomes, Leonardo Fernandes Paulino e Francisco Aílton Vieira foram assassinados por suspeitos em um dos acessos dos Macacos. Familiares das vítimas anunciaram que vão processar o Estado, já que os jovens foram apontados como criminosos inicialmente. Logo após os crimes, o comandante geral da Polícia Militar, o coronel Mário Sérgio, pediu desculpas publicamente. As mães dos mortos querem indenização por danos materiais e morais.