MP: crime de aborto prescreveu, mas Igor ainda cumprirá 18 anos
- Hermano Freitas
- Direto de São Paulo
A promotora Valderez Abbud afirmou, em entrevista na sede do Ministério Público em São Paulo nesta terça-feira, que o ex-promotor público Igor Ferreira da Silva não vai mais cumprir pena por causar o aborto não consentido da mulher, Patrícia Aggio Longo, morta em 1998, quando estava grávida de sete meses. Em 2001, o Órgão Especial do Tribunal de São Paulo o condenou a 21 anos e três meses de prisão em regime fechado pela morte da mulher, pelo aborto não consentido do bebê e por porte ilegal de arma. Devido à prescrição do crime de aborto não consentido, cuja pena era de três anos e três meses, ele deve cumprir mais 18 anos, segundo o MP.
Patrícia foi encontrada morta com dois tiros na cabeça. Em sua defesa, o réu sempre afirmou que a mulher foi assassinada por assaltantes, que nunca foram localizados. Na época do julgamento, um teste de DNA mostrou que o bebê que a vítima esperava não era do ex-promotor, que sempre negou o crime. Ele foi localizado ontem após passar mais de oito anos foragido.
Ela disse que sempre houve o temor de que o crime prescrevesse antes que Igor Ferreira fosse encontrado pela polícia. "A prescrição se daria em 2021, mas tínhamos a certeza que a polícia executaria o mandado de prisão".
Segundo a promotora, apesar de o réu ser integrante do Ministério Público, ele foi julgado sem corporativismo. De acordo com a ela, se não tivesse permanecido foragido, Igor Ferreira poderia estar em regime semiaberto. Ele deve ficar cinco anos e meio em regime fechado e, partir daí, sua pena pode ser progredida.
Sobre a sensação de julgar um colega, ela afirma que o processo foi muito doloroso. "Dói cortar a própria carne", disse. Em junho de 2006, o mesmo órgão que o julgou decretou a perda do cargo de Igor Ferreira na Promotoria e a suspensão de seu salário.