Menino dispara acidentalmente e mata irmão de 4 anos no Rio
O menino Anderson Oliveira, 7 anos, disparou acidentalmente contra o peito do irmão caçula, Washington, de 4 anos, em Rio das Ostras, Região dos Lagos (RJ). O menino segurava a arma do pai, o auxiliar de serviços gerais Vander Virgínio de Oliveira, no momento do acidente. O menino foi levado pelo pai neste domingo ao pronto-socorro de Rio das Ostras, onde chegou sem vida.
Inicialmente, o auxiliar de serviços gerais negou que tivesse arma em casa, mas os policiais encontraram um revólver calibre 38 e outro calibre 32 em um matagal próximo à casa. Temendo ser preso, o homem contou que deixava os filhos sozinhos em casa para trabalhar. Desconfiado da história contada pelo homem, o policial de plantão no hospital o levou para a 128ª Delegacia de Polícia (Rio das Ostras).
De acordo com a polícia, Anderson teria sido orientado a usar o revólver calibre 38 no caso de algum estranho tentasse entrar na casa da família. Oliveira confirmou que havia ensinado o filho mais velho a atirar com a arma e o aconselhava a usá-la, caso alguém tentasse entrar na residência.
O menino também era quem cuidava do irmão caçula. O homem disse que ao chegar em casa, por volta das 18h, encontrou o filho baleado. Ele pegou a criança no colo para a socorrê-la mas, antes de levá-la ao hospital, voltou em casa para se livrar das armas, jogadas em matagal de um terreno nos fundos da residência.
Depois de se livrar das armas, Vander voltou ao mercado, pegou o filho e o levou ao hospital. Após ser ouvido pelo delegado, Vander foi liberado.
Segundo informações da delegacia, ele foi autuado por omissão de socorro e omissão de cautela das armas. Segundo o policial, o homem não foi autuado por porte ilegal de armas porque os calibres dos revólveres, 32 e 38, são permitidos e as armas estavam em casa.
As imagens captadas pelo circuito interno do mercado vão ser anexadas ao inquérito. O inspetor Túlio Costa, há 20 anos na polícia, contou que foi um dos casos mais estranhos que registrou. "Era a criança de 7 anos que cuidava da outra, de 4 anos, e o pai ainda dava instruções para o uso da arma e a deixava ao alcance do garoto. Uma loucura. Isso é um alerta e deve servir para quem tem filhos e arma em casa pensar. É uma imprudência muito grande", alertou.
Segundo o policial, o menino que efetuou o disparo foi encaminhado à casa dos avós. O inspetor revelou que o pai das crianças já tem passagem pela polícia e respondeu, em Minas Gerais, a processo por porte de arma.
Vizinhos contaram aos policiais que o homem era violento e, por diversas vezes, ameaçou moradores do bairro. Familiares contaram à polícia que o pai cuidava sozinho das crianças porque a mulher dele sofre de problemas psiquiátricos e está internada em um sanatório.