GO: Justiça manda soltar acusado de furar olho de ex-mulher
A Justiça de Goiás revogou, nesta quarta-feira, a prisão preventiva de Wilson Bicudo da Rocha, acusado de furar os olhos de sua ex-mulher, Mara Rúbia Mori Guimarães, 27 anos, no final de agosto deste ano. Segundo o Tribunal de Justiça do Estado (TJ-GO), o alvará de soltura do acusado foi expedido.
Segundo o juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 1ª Vara Criminal de Goiânia, os autos tiveram de ser redistribuídos já que, para o Ministério Público goiano (MP-GO), que é titular da ação penal, o caso configura lesão corporal gravíssima e não é, portanto, de competência do Tribunal do Júri. "Não me restou outra alternativa, já que a prisão havia sido decretada por mim que, a partir de agora, deixei de presidir o feito", disse o magistrado.
De acordo com o TJ, o entendimento do MP é diferente do relatório final da investigação e também do juiz, que entender ser clara a intenção do acusado de matar a vítima.
O relatório final da polícia, assinado pela delegada Ana Elisa Gomes Martins em 16 de outubro, indiciou Wilson por tentativa de homicídio triplamente qualificado. Dois dias depois, eles foram encaminhados ao MP, que classificou o crime como lesão corporal.
O TJ informou que, no dia 4 de novembro, Jesseir determinou que o inquérito policial fosse remetido ao procurador-geral da Justiça, Lauro Machado Nogueira, para que ele definisse a posição final do MP. Ontem, Nogueira acolheu o entendimento da promotoria e, por isso, o caso agora deverá ser encaminhado para uma das varas competentes para julgar e processar crime de lesão corporal gravíssima.
“O arquivamento indireto nada mais é do que uma tentativa por parte do MP de arquivar a questão em uma determinada esfera”, disse Jesseir. “Mas, nesse caso específico, a competência é, sim, da vara de crimes dolosos, no meu entender.”
Mulher teve os olhos perfurados
Mara, que é operadora de caixa, foi encontrada desacordada por vizinhos após sofrer a violência em sua casa em Goiânia. A residência havia sido invadida por Wilson, com quem Mara morou junto por seis anos e tem um filho.
Segundo relato da delegada Ana Elisa Gomes, da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), Mara foi amordaçada e asfixiada com um fio de telefone, além de ter os olhos perfurados.
Wilson estaria inconformado com a separação, que aconteceu há um ano. Ele já havia agredido a vítima outras vezes, quando casados e até depois da separação. Por causa disso, Mara Rúbia já havia solicitado proteção policial contra Wilson. O casal morava em Corumbá de Goiás, mas, após a separação, a vítima se mudou para Goiânia.
Após ser socorrida, Mara Rúbia foi levada ao Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), onde ficou internada por três dias e passou por uma cirurgia que conseguiu recuperar a visão de um dos olhos.