Janja desiste de desfile e Lula desce à pista da Sapucaí em meio a polêmica de propaganda eleitoral
Presidente evitou entrevistas, enquanto primeira-dama optou por ficar no camarote; oposição promete recorrer ao TSE
RIO DE JANEIRO — Em meio a acusações de propaganda eleitoral antecipada exploradas e alertas de especialistas sobre o risco do desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os integrantes do governo presentes à Sapucaí adotaram um tom um pouco mais discreto.
Ministros que acompanharam Lula na Marquês de Sapucaí evitaram postagens nas redes sociais durante o desfile, assim como o próprio presidente e a primeira-dama Janja Lula da Silva. Porém, nomes da oposição, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, já afirmaram que irão recorrer ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Como foi passagem de Lula pela Sapucaí
O presidente não deu entrevistas em sua passagem pelo carnaval carioca. No entanto, desceu à pista da Marquês de Sapucaí para acompanhar de perto o desfile da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, que contou sua história.
Ao lado do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), e da primeira-dama, Lula desceu do camarote da Prefeitura do Rio até o segundo recuo da bateria no fim do sambódromo, que fica ao lado de onde o petista acompanhou o desfile.
Janja não participou do desfile da Acadêmicos de Niterói, como era esperado por aliados. A primeira-dama acompanhou os 75 minutos da escola na avenida ao lado do marido e de Eduardo Paes. Ela estaria em destaque no último carro alegórico da escola, mas a posição acabou ocupada pela cantora Fafá de Belém.
Em nota, ela afirmou que desistiu de desfilar por temer perseguição à escola e ao presidente Lula. Ela destacou que "mesmo com toda segurança jurídica" de que poderia participar do desfile, optou por não o fazer "para estar ao lado da pessoa que ela mais ama na vida".
Durante o desfile, Lula alternou momentos de euforia, acenando e aplaudindo as alas da escola de Niterói, com pausas de contemplação do desfile. Ao fim do desfile, Lula deixou a fachada do camarote aos gritos de "sem anistia" e críticas aos apoiadores presentes na arquibancada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele deixou a Sapucaí às 4h53.
Na manhã desta segunda, 16, o presidente divulgou fotos com integrantes das outras três agremiações que desfilaram no Rio de Janeiro, sem mencionar o desfile em sua homenagem. "Tive a honra e a alegria de acompanhar o desfile da Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira. Muita emoção", escreveu.
O PT também não mencionou a homenagem ao petista: "Do frevo ao samba! Depois de passar por Recife e Salvador, Lula esteve no Rio de Janeiro e acompanhou os desfiles das escolas de samba na Sapucaí". O objetivo é não dar mais munição para a oposição em ações no TSE.
Oposição diz que irá ao TSE
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, já afirmou que vai protocolar uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra supostos crimes cometidos pelo PT na Marquês de Sapucaí. Principal adversário de Lula na disputa presidencial, também criticou o petista e disse que ele usa dinheiro público "para fazer campanha antecipada pra ele mesmo".
O Partido Novo também publicou críticas ao desfile da Acadêmicos de Niterói e prometeu recorrer à Justiça. "O desfile é uma peça de propaganda do regime Lula. Financiada com o seu dinheiro. Vamos à Justiça Eleitoral buscar a inelegibilidade", afirmou o Novo em sua conta no X.
O presidente do partido, Eduardo Ribeiro, declarou em suas redes sociais: "Assim que o Lula registrar sua candidatura, o Partido Novo ajuizará uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), requerendo a cassação do registro e sua inelegibilidade. A lei deve ser igual para todos".