Filme sobre Bolsonaro oferecia pacote de US$ 1,1 milhão com promessa de Green Card a investidores, diz site
Documentos obtidos pelo The Intercept apontam que projeto do filme 'Dark Horse' prometia residência nos EUA aos investidores
Um plano de investimentos ligado ao filme Dark Horse, cinebiografia ficcional sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, oferecia a investidores estrangeiros um pacote de US$ 1,1 milhão com promessa de "oportunidade de imigração" para os Estados Unidos, segundo documentos obtidos pelo The Intercept Brasil. A reportagem também aponta que o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro atuava como produtor-executivo do projeto e teria participação em decisões financeiras da produção.
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O plano apresentava o investimento no longa como um possível caminho para obtenção do Green Card, visto de residência permanente nos Estados Unidos. No entanto, Eduardo Bolsonaro afirmou em uma publicação no Instagram na quinta-feira, 14, ter apenas cedido direitos de imagem relacionados ao filme e negou participação na gestão da obra. Horas depois, revelou que assinou documento em que recebia direito de gestão financeira.
Segundo o The Intercept, um contrato assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em janeiro de 2024 o colocava oficialmente como produtor-executivo do longa ao lado do deputado federal Mario Frias e da produtora norte-americana GoUp Entertainment.
O documento atribuiria aos envolvidos responsabilidade sobre decisões de orçamento, gestão financeira e captação de recursos para o projeto audiovisual. A reportagem afirma, no entanto, que os materiais obtidos não detalham quem executou essas funções.
Filme teria orçamento milionário
Os documentos apontam que Dark Horse teria orçamento estimado entre US$ 23 milhões e US$ 26 milhões (R$ 116 a R$ 131 milhões). A estratégia de captação previa a venda de 40 cotas de US$ 500 mil, totalizando US$ 20 milhões.
Além da promessa ligada à imigração, os pacotes ofereciam vantagens incomuns para investidores. Quem aplicasse US$ 1 milhão teria direito a uma cadeira no conselho de produção do filme, podendo participar de decisões relacionadas ao projeto.
Os documentos também indicam que os investidores receberiam devolução integral do valor aplicado, além de lucro de 20% sobre o capital investido. Após o pagamento prioritário aos financiadores, o lucro líquido restante seria dividido igualmente entre investidores e produtores, incluindo Eduardo Bolsonaro e Mario Frias, segundo o material obtido pelo The Intercept.

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